PERRI COMPARA MILITARES A CASO PABLO ESCOBAR: “PRISãO NãO é E NãO PODE SER COLôNIA DE FéRIAS”
31.07.2017

A decisão do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que transferiu o cabo Gerson Ferreira para o Centro de Custodia de Cuiabá e requereu vagas no presídio federal de Mato Grosso do Sul, objetivando um futuro remanejamento, é intensa em seu caráter crítico. “Prisão não é e não pode ser colônia de férias”, afirma o magistrado.
 

A postura surge após o militar preso preventivamente em conseqüência de grampos ilegais supostamente ter deixado a área onde estava detido para beber cerveja.  A decisão de Perri combate prerrogativa que discute detenções de militares em “quarteis” ou “prisões especiais”.
 
“Não estou aqui defendendo que a prisão deve se revestir de características de sofrimento ou de padecimento, um local execrável, deplorável, de sub-humanidade, nada disso”, afirmou Perri. “Porém, o que não se pode tolerar, em nenhuma hipótese, é que presos (militares ou não) tenham mais conforto recolhidos, do que teriam em sua própria residência”, complementou.
 
O incidente foi instaurado a partir do depoimento prestado por Mário Edmundo Costa Marques Filho, amigo do Cabo Gerson, ao Delegado de Polícia Flávio Henrique Stringueta.

O referido delegado não é mais o responsável pelo caso, mas na ocasião da oitiva, Mário Edmundo confirmou tratamento diferenciado na Unidade Policial em que Gerson está preso. O Militar teria acesso a celulares, computadores, televisores e visitas privilegiadas.
 
“Se para alguns, a situação dos presos militares não pode ser reputada de confortável ou suntuosa, para mim, respeitando sempre a opinião em sentido contrário, a realidade vivenciada representa verdadeira ‘deboche’, não só para a sociedade em si, porém, para o Poder Judiciário como um todo”, complementou o magistrado.
 
Conforme se depreende dos autos, encontram-se presos provisoriamente os seguintes policiais militares, além de Gerson: Cel. PM Zaqueu Barbosa, Cel. PM Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Cel. PM Ronelson Jorge de Barros.
 
Comparação com Pablo Escobar

Ainda sobre o incidente, Orlando Perri comparou o espaço destinado aos militares à “La Catedral”, prisão construída pelo narcotraficante Pablo Escobar, para que nela cumprisse sua pena, após acordo firmado com o governo colombiano.
 
“Não estou defendendo que qualquer preso seja submetido a sessões de flagelo, ou de sofrimento, ou de tortura, jamais. O que não se pode tolerar é que os militares, mesmo que presos, provisoriamente, usufruam de situação muito mais digna que muitos brasileiros que trabalham diuturnamente”.
 
A decisão do dia 27 de julho transferiu Gerson para o Centro de Custódia. O requerimento para transferência ao présidio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul ainda aguarda exame.

O caso

Reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.
 
A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles são apenas alguns dos “monitorados”.

O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração de Fantástico.

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