PMS PRESOS POR GRAMPOS RECEBEM VISITAS DE INVESTIGADOS E SECRETáRIOS
01.08.2017

Na decisão em que determinou o pedido de transferência dos policiais militares presos pelos esquemas dos grampos ilegais no Estado, o desembargador Orlando Perri destacou que, além dos privilégios dentro dos batalhões em que estão presos, um descontrole nas visitas a eles também motivou a decisão. Na última sexta-feira, o desembargador encaminhou solicitação a Justiça Federal para que quatro policiais militares do Estado fossem transferidos ao presídio federal de Campo Grande.

De acordo com relatório produzido por dois juízes que vistoriaram os batalhões, não havia nenhum tipo de controle das visitas recebidas pelos coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Ronelson Barros, além do cabo Gerson Luiz Correia Junior.

Algumas visitas chamaram atenção. Por exemplo, o cabo Gerson Correia listou como uma das pessoas que poderiam visita-lo, o então secretário da Casa Militar, Evandro Lesco. Correia foi preso em 23 de maio, enquanto Lesco só foi detido em 23 de junho.

Aliás, a lista de visitantes do ex-secretário da Casa Militar também é de destaque. Familiares ocupam menos espaço do que policiais militares e secretários de Estado autorizados a visitá-lo.

Ele colocou em sua lista de visitantes o secretário de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel Airton Siqueira Junior, o chefe da Casa Civil, José Adolpho Vieira, e o atual chefe da Casa Militar, coronel Wendel Soares Sodré.

Porém, Lesco também recebeu visitas de pessoas que não constavam em sua lista. Um dos exemplos é o secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas.

A situação chamou a atenção do desembargador Orlando Perri. Ele explicou que a fragilidade no controle das vistias pode prejudicar as investigações, obstruir provas, inibir testemunhas ou arquitetar álibis entre os investigados.

Perri destacou a colaboração do cabo Euclides Torezan. Ele contou que foi orientado a comparecer ao Batalhão da Rotam para combinar depoimento com Gerson Correia. Uma das orientações, seria negar a existência do programa Sentinela, criado para realização de grampos ilegais no âmbito da Polícia Militar.

REGALIAS

O pedido de transferência foi, inicialmente justificado pelas regalias que os militares desfrutavam nos batalhões. Eles contavam nas prisões com ar-condicionado, geladeira, TV de tela plana, micro-ondas e outros privilégios. Orlando Perri chegou a comparar o tratamento dispensados aos investigados pelos grampos ilegais a uma “colônia de férias”.

Os locais vistoriados foram Escola Superior de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Esfap), onde está preso o coronel Zaqueu Barbosa; Academia da Polícia Militar Costa Verde, do Bope, onde está detido o coronel Evandro Lesco; Terceiro Batalhão da Polícia Militar, local de prisão do coronel Ronelson Barros e Quarto Batalhão da PM de Várzea Grande, lugar em que estava preso o tenente Januário Antônio Edwiges Batista, que já está em liberdade.

Também foi vistoriado o alojamento da Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam), local onde estava preso o cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, desde 23 de maio. O caso de Correa foi considerado o mais grave pelo desembargador, pois a vistoria revelou que ele chegou a sair da prisão e teria ido a uma boate da capital, onde teria tomado cerveja e assistido a uma sessão de strip-tease. Em razão disso, ele foi levado, na sexta-feira (28), ao Centro de Custódia da Capital (CCC), onde deverá permanecer até que sejam disponibilizadas as vagas na unidade de segurança máxima.

OUTRO LADO

A secretaria de Comunicação do Estado explicou que a visita de secretários a Evandro Lesco ocorreu para tratar de questões relacionadas ao Governo.

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