DESEMBARGADOR Vê "ATENTADO" AOS CIDADãOS E VAI REVELAR ALVOS DE GRAMPOS ILEGAIS EM MT
07.07.2017

Por meio de nota, o desembargador Orlando de Almeida Perri reagiu no início da noite de hoje as declarações do secretário de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso, coronel Airton Benedito Siqueira Junior, constadas em documento registrado no cartório do 4º ofício de Cuiabá. O magistrado alega que o documento visa provocar sua suspeição no processo, mas garantiu que seguirá no caso, inclusive revelando os alvos da arapongagem ilegal e a punição dos culpados. 

Perri reagiu ao documento, afirmando estar sofrendo pressões e até ameaças para não aprofundar nas investigações relacionadas as interceptações telefônicas nos últimos anos no Estado. “Os fatos denunciados pelo coronel Airton Benedito de Siqueira Júnior já eram de meu conhecimento há mais de 20 dias, quando passei a receber ameaças veladas visando a não emprestar a seriedade necessária às investigações”, diz trecho da nota. 

Ele garante que os grampos citados pelo coronel Siqueira enquanto era corregedor do TJ ocorreram dentro da legalidade, inclusive com acompanhamento do Ministério Público. A época, a investigação de Perri culminou com a aposentadoria de cerca de 10 magistrados diante da suspeita de desvios de recursos do Judiciário para uma loja maçônica em Cuiabá.

O magistrado considera que o documento feito pelo coronel visa provocar sua suspeição na análise do processo. “O inescondível propósito das denúncias é provocar minha suspeição ou impedimento para continuar à frente das investigações, ou, quando não desacreditar as decisões que tomei ou venha a tomar no curso delas, que procuram desvendar graves atentados à intimidade dos cidadãos mato-grossenses”, assinala.

Por fim, ele assegura que seguirá no caso, que já considera ter ocorrida “em larga escala” nos últimos anos. “Os opróbrios lançados na denúncia não arrefecerão meu firme propósito de levar a bom termo as investigações, trazendo à luz todas as interceptações ilegais realizadas nos últimos anos, com revelação das vítimas e punição dos culpados”, disse.

O esquema de grampos ilegais em Mato Grosso foi revelado em maio pelo Fantástico (Rede Globo) com bas eem denúncia feita pelos promotores e ex-secretários de Segurança Pública, Mauro Zaque e Fábio Galindo. No mesmo mês, o juiz Marcos Faleiros decretou a prisão preventiva do ex-comandante geral da PM, Zaqueu Barbosa, e o cabo Gerson Luiz Correia Júnior.

Já no dia , o desembargador Orlando Peri determinou as prisões do secretário afastado da Casa Militar, Evandro Lesco; o adjunto, Ronelson Barros, e o tenente-coronel Januário Batista.Também foi detido o  cabo Euclides luiz Torezan.

O ex-corregedor-geral da PM, coronel Alexandre Corrêa Mendes, e ex- diretor de Inteligência da PM, coronel Victor Paulo Fortes Pereira, chegaram a serem presos administrativamente por supostamente vazar dados de prisões.

No entanto, eles foram soltos quatro dias após por decisão judicial. Um inquérito policial militar deve ser concluído ainda neste mês.

DENÚNCIA

Em documento registrado em cartório no dia 29 de junho, Siqueira Junior  revelou ter feito escutas de cinco magistrados de Mato Grosso no ano de 2007. No documento, ele explicou que realizou os grampos a pedido de Orlando Perri, que respondia pela Corregedoria do Tribunal de Justiça à época. 

O coronel explicou que à época Orlando investigava cerca de 10 magistrados no conhecido "Escândalo da Maçonaria". Ele foi chamado pelo desembargador em seu gabinete que lhe solicitou que fossem realizadas escutas contra o desembargador José Ferreira Leite e os juízes Marcelo Barros, Antônio Horácio Silva Neto, Irênio Lima Fernandes e Marcos Aurélio Ferreira.

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Diante das declarações amplamente divulgadas na imprensa nesta data, nas quais me acusam de haver procedido à interceptação ilegal de a ocasião em que exerci a função de Corregedor-Geral da Justiça, de 2007 a 2009, venho a público esclarecer:

1 - Como é do conhecimento, a mim coube a relatoria dos investigatórios relacionados com a “grampolândia pantaneira” instada no Estado de Mato Grosso, objeto de matéria jornalística em âmbito nacional.

2 - Nessa condição, apesar de todas as pressões que venho sofrendo, procuro atuar com independência e retidão na apuração dos crimes.

3 - Os fatos denunciados pelo Cel. Airton Benedito de Siqueira Júnior já eram de meu conhecimento há mais de 20 dias, quando passei a receber ameaças veladas, visando a não emprestar a seriedade necessária às investigações;

4 - Quantos aos fatos em si, afirmo que as interceptações realizadas das e acompanhadas pelo Ministério Público Estadual pela então do Coordenadoria GAECO, por mim deferidas nos termos da lei de regência.

5 - O inescondível propósito das denúncias é provocar minha suspeição ou impedimento para continuar à frente das investigações, ou, quando não desacreditar as decisões que tomei ou venha a tomar no curso delas, que procuram desvendar graves atentados à intimidade dos cidadãos mato-grossenses, vilipendiada, ao que tudo indica, em larga escala nos últimos tempos.

6 - Por fim, os opróbrios lançados na denúncia não arrefecerão meu firme propósito de levar a bom termo as investigações, trazendo à luz todas as interceptações ilegais realizadas nos últimos anos, com revelação das vítimas e punição dos culpados.

Cuiabá, 6 de julho de 2017.

Desembargador Orlando de Almeida Perri

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