EMPRESA TERIA SIDO USADA EM OUTRO SUPOSTO ESQUEMA DE DEPUTADO
22.08.2017

A empresa Canal Livre Comércio e Serviços Ltda, pertencente a Rodrigo Santiago Frisson e acusada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) de ter pagado propina ao deputado Romoaldo Junior (PMDB), também é suspeita de ter se envolvido em outro esquema com o mesmo parlamentar.

 

Em delação à Procuradoria Geral da República (PGR), homologada neste ano pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), Silval disse que a Canal Livre, responsável pela instalação do sistema de iluminação, informação e tecnologia da Arena Pantanal, pagou propina entre R$ 200 a R$ 300 mil a ele.

 

Já quanto à propina supostamente paga ao deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), o ex-governador não soube precisar o valor exato.

 

A Canal Livre, porém, já estava na mira do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) desde 2015, quando foi deflagrada a Operação Ventríloquo.

 

A operação apura suposto esquema que teria desviado R$ 9,4 milhões da Assembleia Legislativa, em 2014, por meio do pagamento indevido de uma dívida do órgão com o banco HSBC (atual Bradesco) ao delator Joaquim Mielli, então advogado da instituição financeira. Boa parte do dinheiro teria retornado ao grupo comandado pelo ex-deputado José Riva.

 

De acordo com o Gaeco, Joaquim Mielli fez um depósito de R$ 240 mil à empresa Canal Livre.

 

A princípio, o Gaeco acreditava que o depósito tinha ocorrido a mando de Riva ou dos outros acusados na 1ª fase da operação: o ex-procurador jurídico da Assembleia, Anderson Flávio Godoy, o advogado Júlio César Domingues Rodrigues e o ex-secretário de Finanças da Assembleia Legislativa, Luiz Márcio Bastos Pommot.

Alair Ribeiro/MidiaNews

José Riva

José Riva: "Fui comunicado que já havia sido feito o acordo. Depois Romoaldo me comunicou que, no acordo, seria devolvido 45%"

 

Ainda em 2015, o empresário Rodrigo Frisson justificou que o valor recebido era relativo a quitação de um empréstimo concedido por ele ao servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Francisvaldo Mendes Pacheco, assessor de Romoaldo.

 

“Já havia emprestado dinheiro a ele [Francisvaldo] outras vezes. Emprestei o valor de R$ 230 mil, com 3% de taxa de juros mensais, e recebi um cheque dele como garantia [...] Foi de forma informal, pois já havia feito outros empréstimos e já sabia que ele era funcionário da Assembleia”, afirmou o empresário.

 

Reviravolta

 

Em abril de 2016, todavia, o caso teve uma reviravolta quando Riva confessou ter recebido R$ 806 mil no esquema e disse que as tratativas ilícitas foram comandadas pelo deputado Romoaldo Júnior.

 

Ele contou à juíza Selma Arruda que só ficou sabendo do “acordo” para a concessão indevida de créditos ao então advogado do HSBC após o pagamento já ter sido liberado, em 2014.

 

“Não pedi nenhuma porcentagem. Fui comunicado que já havia sido feito o acordo. Depois Romoaldo me comunicou que, no acordo, seriam devolvidos 45%. Falou que se eu tivesse alguma conta a pagar, eu poderia falar para ele”, afirmou.

 

O ex-deputado afirmou que Romoaldo, que presidia a Casa de Leis em 2014, foi beneficiado com R$ 1,1 milhão.

 

Segundo Riva, os cheques com a propina a Romoaldo teriam sido repassados para as empresas Redeshop.com (R$ 794 mil), I.H. Combustível (R$ 74 mil) e Canal Livre (R$ 241,9 mil).

 

Em outubro do mesmo ano, o advogado Julio César Rodrigues – apontado como lobista do esquema – também decidiu fazer delação.

 

Segundo a delação, Romoaldo teria recebido pelo menos R$ 590 mil para assinar o documento que autorizou o pagamento do crédito ao advogado do HSBC.

 

Na época, o peemedebista ocupava o cargo de presidente da Mesa Diretora em substituição ao ex-deputado estadual José Riva, então afastado por determinação judicial.

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