EX-CHEFE ALEGA QUE FEZ GRAVAçõES POR PRESSãO DE DEPUTADOS EM MT
30.08.2017

Os polêmicos vídeos de deputados e ex-deputados recebendo dinheiro vivo em Mato Grosso foram gravados em um período em que o ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), Sílvio Cézar Corrêa, e o então governador estavam sofrendo pressão por parte dos parlamentares. A informação foi dada por Sílvio Corrêa, em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República (PGR), em maio deste ano, após acordo de delação premiada.

Segundo Sílvio, a pressão era tamanha que, muitas vezes, ele fazia empréstimos com outras pessoas para honrar com a data do pagamento de propina aos deputados. Normalmente, o dinheiro da propina era proveniente das obras do programa MT Integrado e era dado pelas empreiteiras, que faziam parte do esquema, ao então secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu), Valdísio Viriato. O G1 não localizou o advogado de Valdísio Viriato.

Sílvio disse que o ex-governador o informou, em 2012 ou 2013, que tinha feito um acordo com os deputados estaduais sobre o programa MT Integrado, por exigência dos próprios parlamentares para que permitissem o andamento das obras.

Ficou acordado o pagamento de R$ 600 mil para cada deputado, em 12 parcelas de R$ 50 mil. E Sílvio recebeu de Silval a tarefa de recolher com Valdisio Viriato os valores de propinas a ele entregues pelas empreiteiras que pagam propinas na Sinfra.

A maioria dos pagamentos era feita em dinheiro, mas os pagamentos também eram feitos em cheques. Ora, os deputados buscavam o dinheiro no gabinete dele, ora, ele ia até a Assembleia Legislativa para fazer a entrega em mãos.

O ex-chefe de gabinete disse que pediu que os deputados assinassem um recibo, mas, segundo ele, eles se recusaram e houve apenas acordo de palavra.

Sílvio disse ter comprado espontaneamente uma microcâmera em São Paulo e que a instalou em uma antena parabólica, no gabinete dele.

Sílvio afirma que, como nem sempre tinha o valor total para pagar os deputados estaduais, chegava a fazer mais um de pagamento por mês para completar a quantia prometida. Quando ocorria atraso nos pagamentos, o ex-chefe de gabinete disse que era pressionado durante pelos parlamentares, principalmente pelos líderes do governo, Romoaldo Júnior (PMDB) e Hermínio Barreto (PR), o Jota Barreto. Jota Barreto disse que só vai se manifestar na Justiça.

De acordo com ele, as empreiteiras demoravam a repassar as propinas para Valdisio Viriato, não cumprindo com a data estabelecida para o pagamento da propina e, com isso, diante da pressão, o ex-chefe de gabinete disse que tentava resolver a situação emprestando dinheiro com pessoas e empresas de confiança dele.

A maioria dos pagamentos foram feitos com dinheiro arrecadado na Sinfra, mas em três ocasiões o ex-secretário da Copa, Maurício Guimarães, repassou dinheiro proveniente de propinas arrecadadas na Secopa, no valor aproximado de R$ 400 mil a R$ 500 mil. Esse dinheiro também foi usado para pagar os deputados, de acordo com o ex-chefe de gabinete, que passou quase dois anos preso.

Além das propinas do MT Integrado, Sílvio disse que soube por Silval Barbosa que os deputados recebiam desde o início do governo uma espécie de mensalinho, também no valor aproximado de R$ 50 mil. Para pagar essa vantagem indevida aos deputados, o governo fez uma suplementação no orçamento da Assembleia.

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