SILVAL DIZ QUE WS QUERIA R$ 10 MILHõES PARA
30.08.2017

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou que o deputado estadual e secretário de Estado de Cidades, Wilson Santos (PSDB), quando concorreu ao Governo do Estado, em 2010, pediu R$ 10 milhões para atacar Mauro Mendes (PSB), adversário de ambos na disputa.

 

Entretanto, por R$ 5,5 milhões o peemedebista acabou cooptando o DEM, que estava na vice da chapa de Wilson.

 

As acusações estão na colaboração premiada do ex-governador, firmada com a Procuradoria Geral da República e homologada no último dia 9 pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Que, segundo Wilson Santos, Mauro Mendes,estava procurando o seu apoio a fim de que ele se virasse contra o declarante, sendo mais ostensivo e agressivo

Segundo Silval, no começo da disputa eleitoral, Wilson era o favorito, mas caiu para a terceira colocação conforme ia se aproximando a data da votação. Desta forma, a disputa ficou entre Silval e Mauro Mendes.

 

Por conta disso, o ex-senador Osvaldo Sobrinho (PTB), coordenador da campanha de Wilson, teria procurado Silval e pedido que se encontrasse com o tucano. Ele aceitou e o encontro teria ocorrido no apartamento de Sobrinho.

 

No encontro, Wilson narrou a Silval que Mauro Mendes teria lhe oferecido R$ 10 milhões para aumentar o tom das críticas a Silval, mas que achava mais coerente fechar este acordo com o peemedebista, pois havia sido adversário de Mendes na campanha de 2008, quando disputaram a Prefeitura de Cuiabá.

 

“Que, segundo Wilson Santos, o outro candidato, Mauro Mendes, estava procurando o seu apoio a fim de que ele, além de apoiá-lo, se virasse contra o declarante [Silval Barbosa], sendo mais ostensivo e agressivo, fazendo assim que o declarante tivesse muitas chances de perder o pleito; que segundo Wilson, ele e Mauro estavam em uma tratativa no valor de R$ 10 milhões para que agisse de tal forma contra o declarante”, disse em trecho da delação.

 

“Que ele estava dando preferência ao declarante, eis que para ele era melhor politicamente, haja vista que no ano de 2008 havia sido adversário político de Mauro Mendes, contudo, desde que lhe fosse entregue o mesmo montante; que o declarante alegou que não tinha como dar referido valor, que poderia chegar até uns R$ 5 milhões, contudo nada fecharam, marcando a reunião para dois ou três dias depois”, afirmou.

 

Silval e Wilson teriam voltado a se encontrar na casa de Osvaldo Sobrinho. Nesse encontro, o tucano ofereceu R$ 7 milhões para fechar o acordo, mas Silval voltou a negar ter o valor.

 

Segundo o delator, a partir de então, Wilson passou a “agredi-lo”.

Reprodução

Delação Wilson Santos

 

“Que nos dias seguintes, o declarante percebeu que Wilson Santos passou a agredi-lo tanto nas entrevistas como nos debates em que participava, muito mais do que o candidato Mauro Mendes, deduzindo com essas condutas, que ele, Wilson, havia firmado acordo com Mauro Mendes para agir contra o declarante”, disse.

 

Acordo com o DEM

 

Silval, então, procurou o então presidente regional do DEM, Júlio Campos. O grupo estava na vice de Wilson, com Dilceu Dal’Bosco.

 

Entretanto, Silval disse que tinha “simpatia” de muitos prefeitos do partido que gostariam de apoiá-lo.

 

Reprodução

wilson Santos e Silval Barbosa

“Que nos dias seguintes, o declarante percebeu que Wilson passou a agredi-lo tanto nas entrevistas como nos debates em que participava"

“Que Júlio Campos ficou muito irritado com a atitude de Wilson Santos, alegando ainda que Wilson havia prometido a ele recursos financeiros para ajudar na campanha dos candidatos do partido, mas que não havia cumprido com sua promessa; Que o declarante, então, solicitou a Júlio que ele liberasse os prefeitos que possuíam simpatia com sua candidatura para que o apoiassem ao passo que o declarante iria ajudá-lo em suas despesas de campanha”, disse Silval.

 

Do acordo, Silval disse ter repassado R$ 4 milhões a Júlio Campos para pagar as despesas dos candidatos proporcionais.

 

Além disso, fechou acordo com Dilceu Dal’Bosco para que ele “ficasse inerte” na situação. O peemedebista prometeu assumir as dívidas da campanha de Dilceu e lhe entregou R$ 1,5 milhão.

 

“Que o declarante reconhece que a referida articulação política o auxiliou a se sagrar vencedor no primeiro turno das eleições”, afirmou.

 

Propina

 

Segundo Silval, os valores do acordo com Júlio Campos e Dilceu tiveram origens de precatórios da Cohab pagos pelo Estado à Construtora Encomind, no valor aproximado de R$ 85 milhões.

 

Que também teve recurso de Wanderley Fachetti Torres, da Trimec.

 

“Foram entregues através de João Simoni, proprietário da construtora Constil, não sabendo o declarante indicar a forma como ocorreu esse pagamento; Que para efetuar tal pagamento Simoni recebeu referido valor oriundo de Rodolfo, proprietário da Construtora Encomind, seguindo determinação do declarante”, disse.

 

“Que o declarante sabe dizer que os valores repassados por meio de João Carlos Simoni à campanha de Júlio Campos e à campanha de Dilceu Dal’Bosco, também teve recurso de Wanderley Fachetti Torres. Que João Simoni e Wanderley Torres também podem ter se utilizado de recursos obtidos com o empréstimo realizado no Banco Rural”, completou.

 

Outro lado

 

A reportagem entrou em contato com o secretário Wilson Santos, mas ele não atendeu às chamadas em seu celular. Já sua assessoria ficou de mandar uma nota a respeito das citações de Silval.

 

Já Júlio Campos não atendeu às chamadas em seu celular.

 

Veja trechos da delação:

 

 

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