SILVAL: EMPRéSTIMO COM FACTORING PAGOU “13º DE MENSALINHO”
31.08.2017

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) contou que fez um empréstimo de R$ 1,7 milhão com o empresário Ricardo Neves, dono da factoring Borbon Fomento Mercantil, para custear uma espécie de “13º” da propina mensal supostamente paga a 17 deputados (R$ 100 mil cada), em 2010, para ter o apoio na aprovação dos projetos do interesse do Executivo.

 

Tal empréstimo, de acordo com o ex-governador, foi quitado com o “retorno” que a construtora Concremax repassou em troca da concessão de incentivos fiscais feita por Silval.

 

A informação consta na delação premiada firmada entre Silval e a Procuradoria Geral da República (PGR), homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 9 de agosto.

 

O alegado pagamento teria sido feito após Silval vencer a eleição de 2010. Na ocasião, ele já era governador do Estado, uma vez que o então chefe do Executivo e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), deixou o cargo para disputar o Senado.

 

Segundo o peemedebista, no final daquele ano os então deputados José Riva e Sérgio Ricardo, presidente e primeiro secretário da Assembleia na época, respectivamente, o procuraram em seu gabinete.

 

Nessa conversa, os dois o teriam informado que os deputados estaduais estariam exigindo que ele pagasse R$ 100 mil por parlamentar, a título de “13º” da propina mensal repassada pelo Executivo.

 

“Em contrapartida os parlamentares continuariam a apoiar o meu Governo na aprovação dos projetos do meu interesse, aprovação de contas e apoio político”.

 

Silval disse que concordou com a proposta, pois precisava do apoio da Assembleia, “tendo ficado definido que Sérgio Ricardo seria o responsável em operar a distribuição do 13º da propina para os demais deputados estaduais”.

Me lembro que posteriormente Pedro Nadaf chegou a comentar comigo que havia conseguido pagamento de ‘retorno’ por meio da empresa Concremax

 

O ex-governador disse que então procurou seu amigo Wanderley Torres, da construtora Trimec, e pediu R$ 1,7 milhão, distribuídos em cheques de R$ 100 mil cada. Ficou acertado que antes dos cheques serem compensados, Silval pagaria o R$ 1,7 milhão a ele.

 

Apesar de ter citado que 17 deputados foram beneficiados, a lista contida na delação apresenta 16 parlamentares. Tais cheques, segundo Silval, foram entregues a Sérgio Ricardo, que, por sua vez, os repassou aos parlamentares

 

“Os 17 deputados que receberam a quantia são Guilherme Maluf; Hermínio J. Barreto, João Malheiros, José Geraldo Riva, Mauro Savi, Airton Português, Antônio Azambuja, Adalto de Freitas Filho (Daltinho), Pedro Satélite, Sebastião Rezende, Sérgio Ricardo, Wagner Ramos, Walace Guimarães, Walter Rabelo (hoje falecido), José Domingos Fraga e Gilmar Fabris”, diz a delação.

 

Empréstimo com empresário

 

O ex-governador, todavia, disse que acabou não conseguindo cobrir os cheques de Wanderley, que foram devolvidos por falta de fundos.

 

Assim, Silval contou que determinou que Sérgio Ricardo pegasse o valor necessário com o empresário de factoring Ricardo Bourbon Neves, conhecido como “Ricardo Novis”. O empresário foi recentemente alvo da Operação Descarrilho, da Polícia Federal, por participação em esquema envolvendo a aquisição do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

 

“Sérgio Ricardo pegou esse valor de R$ 1,7 milhão com ‘Ricardo Novis‘ e assim fiquei devedor de ‘Ricardo Novis‘. Foi realizada uma reunião entre eu, Sérgio Ricardo e ‘Ricardo Novis‘ no Palácio Paiaguás, ocasião em que o eu não me recordo se assinei algum documento, mas me recordo que Sérgio Ricardo me disse que teria assinado uma nota promissória como forma de garantia do empréstimo”.

 

Após conseguir o valor, Silval disse que passou a ser cobrado insistentemente pelo empresário, motivo pelo qual delegou ao ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, que encontrasse algum retorno ao grupo em troca da concessão de incentivos fiscais.

 

“Me lembro que posteriormente Pedro Nadaf chegou a comentar comigo que havia conseguido pagamento de ‘retorno’ por meio da empresa Concremax, após acerto com o empresário Jorge Pires de Miranda, em troca da concessão de incentivos fiscais pelo Governo, valores esses que Pedro Nadaf usou para pagar ‘Ricardo Novis’”.

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