SENADOR ARTICULA R$ 2 MI EM PROPINA PARA DIRETOR DO DNIT; RIVA RECEBE R$ 1,5 MI DE TRINCHEIRA
01.09.2017

O diretor nacional do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) Luiz Antônio Ehret Garcia recebeu R$ 2 milhões de propina para não atrasar repasses de verbas destinadas às obras de mobilidade urbana – como viadutos e trincheiras - para a Copa do Mundo no ano de 2014. A denúncia foi feita pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) em delação premiada já homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federa (STF).

O ex-gestor foi ouvido na Procuradoria da República no dia 16 de maio deste ano e explicou que em 2011 foi firmado um termo de cooperação entre o estado de Mato Grosso e o DNIT no valor de R$ 160 milhões para obras de mobilidade e travessia urbana nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

Os recursos, conforme Silval, foram utilizados nas obras do viaduto do Despraiado, viaduto da trincheira Jurumirim/Trabalhadores, viaduto do Santa Rosa, viaduto do complexo viário do Tijucal e viaduto da Avenida Dom Orlando Chaves.

O ex-governador também revelou que as obras seguiam normalmente. Porém, no fim de 2012 o DNIT começou a atrasar os repasses e que os atrasos se perpetuaram por um ano, com a alegação de que havia irregularidades nos projetos.

ALERTA DE FAGUNDES

Após um ano sem receber a verba, Silval contou que foi procurado pelo senador Wellington Fagundes (PR) que na época era deputado federal. Ele alertou que se o governo quisesse voltar a receber a verba do DNIT teria que pagar a propina de R$ 2 milhões a Luiz Antônio Ehret Garcia, que era superintendente do órgão em Mato Grosso no período.

“O declarante se recorda que foi procurado por Wellington Fagundes, na época dos fatos Deputado Federal, e atualmente Senador da República, tendo ele afirmado ao declarante que o DNIT não estava fazendo os repasses em razão do não pagamento de propinas, sendo que se o Declarante quisesse receber os repasses do convênio de forma tempestiva teria que pagar propina no valor de R$ 2 milhões para o Luiz Antônio Ehret Garcia que, na época, era Superintendente do DNIT no Estado de Mato Grosso, e atualmente é Diretor Nacional do DNIT”, diz o trecho do depoimento.

Após a conversa com o Fagundes, o ex-governador se reuniu com o ex-secretário extraordinário da Copa do Mundo, Maurício Guimarães, e determinou que ele se encontrasse com Luiz Antônio Ehret para pagar o valor de propina que ele estava pedindo. O ex-governador revela que teve conhecimento de que pelo menos R$ 1 milhão foi pago ao diretor do DNIT.

“Tendo em vista a necessidade de conclusão das obras até a data limite da Copa do Mundo, se reuniu com Maurício Guimarães, então Secretário da Secopa determinando que ele conversasse com Luiz Antônio Ehret Garcia e pagasse os valores pedidos de propina; que o Declarante tem conhecimento que Maurício e Luíz Antônio se reuniram em local que o declarante não sabe informar, tendo ficado acertado o pagamento do montante de R$ 2 milhões para Luiz Antônio; que o declarante foi informado por Maurício que, logo após a conversa, ele efetuou o repasse de R$ 1 milhão para Luiz Antônio, ficando de acertar o restante posteriormente; que o declarante não sabe se Maurício Guimarães conseguiu quitar o débito na sua totalidade”, revelou.

Silval também revela que mesmo não tendo conhecimento de que Maurício pagou todo o resto da propina ao diretor Luiz Antônio, as verbas do DNIT retornaram e as obras continuaram. Ele diz não saber se o senador Wellington Fagundes teve algum ganho por alertá-lo sobre a propina ao diretor Luiz Antônio. O ex-governador informou ainda que o dinheiro usado para pagar a propina saiu de “retornos” de empresas que prestavam serviços a Secopa.

PROPINA NO SANTA ROSA

No mesmo depoimento, o ex-governador também revelou que na obra do trevo do bairro Santa Rosa, o ajuste de propina foi realizado entre o ex-deputado José Riva e a empresa Camargo Campos, no valor de R$ 1,5 milhão.

“Que o declarante esclarece que em relação às obras realizadas no trevo do Santa Rosa, também obra do DNIT, o ajuste de ‘retorno‘ foi realizado entre José Riva e a empresa Camargo Campos, no valor de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais). 

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