FILHO DE SILVAL GRAVA DEPUTADO EXIGINDO R$ 7 MI PARA LIVRá-LO EM CPI
25.08.2017

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB), em sua delação premiada junto a Procuradoria Geral da República (PGR), revelou que após ter sido preso, no ano de 2015, o seu filho, o médico Rodrigo Barbosa, foi procurado pelo deputado estadual Wagner Ramos (PSD), que cobrou o valor de R$ 7 milhões para isentar o seu pai no relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada na Assembleia Legislativa para investigar as obras da Copa do Mundo. Wagner era sub-relator da CPI

Segundo o depoimento de Silval Barbosa, as tratativas para “resolver” a questão da CPI iniciaram pouco tempo antes de ele ser preso, em contato com o ex-prefeito de Nobres, Edevair Valim. Segundo Silval, o ex-gestor o procurou por mais de dez vezes em nome do deputado estadual Oscar Bezerra (PSB), presidente da comissão.

Edevair levou a proposta de Silval pagar R$ 15 milhões para que o parlamentar não envolvesse o nome do ex-governador na CPI. Posteriormente, a proposta foi reduzida para R$ 10 milhões.

Após muita insistência, Silval relata ter se encontrado com Valim e com Bezerra dentro de um carro no estacionamento de um supermercado no bairro Jardim das Américas. No encontro, o deputado fez a proposta de que se houvesse o pagamento de R$ 10 milhões iria isentar o ex-chefe do executivo no relatório final.

“O colaborador conversou com Oscar Bezerra, tendo ele dito que poderia fazer um acordo com o colaborador, pois Oscar Bezerra dizia que o colaborador havia ficado com muito dinheiro e que tinha que dividir, tendo pedido R$ 10 milhões para isentar o colaborador no relatório final, sendo que o colaborador acabou não pagando”, diz o trecho da delação.

No documento também é revelado que Bezerra passou o número da conta de uma factoring ao ex-governador, que efetuou o pagamento de R$ 200 mil dias depois, antes de sua prisão preventiva ser anunciada.

Ainda segundo Silval Barbosa, após ele ser preso, o seu filho foi procurado pelo deputado Wagner Ramos que também era membro da comissão da CPI.  Wagner pediu o valor de R$ 7 milhões para “resolver” a questão da comissão. O ex-governador conta também que o filho gravou a conversa tida com o parlamentar e que o valor não foi pago.

A conversa teria sido entregue aos membros da Procuradoria Geral da República.

FIM DO SIGILO

O ministro Luiz Fux levantou o sigilo do material da delação de Silval, que se tornou pública nesta sexta (25). Ele atendeu a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Segundo Janot, "a imprensa vem divulgando paulatinamente as informações, o que pode causar gravames às pessoas que são citadas, ante a ausência de contextualização das declarações dos colaboradores".

Fux ainda autorizou a abertura de um inquérito que investiga o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), por crime de organização criminosa. Maggi teria participado das fraudes junto com Silval Barbosa.

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