CABO REVELA QUE EX-SECRETáRIO PAGOU R$ 50 MIL PARA INICIAR ESQUEMA DE GRAMPOS EM MT
18.10.2017

O ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, teria pago R$ 50 mil aos coronéis da PM, Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco, respectivamente ex-comandante geral da PM e ex-chefe da Casa Militar de Mato Grosso, para estruturar o esquema de interceptações telefônicas ilegais no Estado. A informação foi veiculada em reportagem desta terça-feira (17) do MT TV 2ª Edição e são baseadas na confissão do Cabo PM Gerson Corrêa Júnior, apontado como um dos operadores dos grampos no Estado, no inquérito policial da Polícia Judiciária Civil (PJC) que investiga os grampos.

De acordo com o cabo, o esquema foi comandado por Zaqueu Barbosa, que fornecia os nomes que teriam os sigilos telefônicos quebrados, e que Evandro Lesco estava na fraude desde seu início. Gerson Corrêa afirmou que parte dos R$ 50 mil – pagos em dinheiro vivo -, foram repassados ao ex-comandante da PM e do ex-chefe da Casa Militar no escritório de advocacia do próprio Paulo Taques.

Gerson Corrêa afirma que foi procurado ainda em 2014 pelo ex-chefe da Casa Civil para que ele fizesse parte de um grupo especializado em interceptações telefônicas ilegais que seriam realizadas a partir de um núcleo clandestino de inteligência na Polícia Militar de Mato Grosso. Segundo sua confissão, ele teria recebido dinheiro para cometer os crimes.

O cabo disse que o objetivo do grupo era “espionar” adversários políticos do então candidato Pedro Taques (PSDB), que acabaria vencendo as eleições em 2014 ainda no primeiro turno. Porém, mesmo após o processo eleitoral, a suposta central clandestina de inteligência continuou em operação e ainda monitorava oponentes políticos do Chefe do Executivo, além de atender “pedidos pessoais”, como o do próprio Paulo Taques, que teria ordenado quebrar o sigilo telefônico de uma amante.  

Na última segunda-feira (16), o cabo PM esteve no complexo Miranda Reis, do TJ-MT, e prestou depoimentos aos delegados Flávio Stringueta e Ana Cristina Feldner, que preside na Polícia Judiciária Civil (PJC) o inquérito policial que apuras as interceptações telefônicas ilegais. 

Gerson Corrêa Júnior é um dos denunciados numa ação proposta pelo Ministério 

Público Estadual (MP-MT) e está preso desde maio deste ano. Ele é acusado de falsificação de documentos, falsidade ideológica, e crime continuado “por mais de sete vezes”, podendo ficar pelo menos 7 anos na prisão. Dependendo de sua colaboração nas investigações, porém, este tempo pode ser reduzido. 

De acordo com a denúncia, o cabo PM foi um dos responsáveis pela “viabilidade técnica” além de garantir a “elaboração do projeto” do sistema de interceptações telefônicas. Ele está preso desde o dia 23 de maio de 2017.

GRAMPOS

O caso dos grampos ilegais tornaram-se públicos após a veiculação de duas reportagens no Fantástico, da Rede Globo – em maio e julho de 2017. Jornalistas, médicos, advogados, políticos e até uma ex-amante do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, sofreram interceptações telefônicas clandestinas que teriam sido feitas por policiais militares. O caso é conhecido como “barriga de aluguel”, onde pessoas que não são investigadas ou denunciadas sofrem os grampos, em tese por interesses pessoais, ao lado dos verdadeiros suspeitos de processos na Justiça ou investigações das forças de segurança.

Além do coronel PM Zaqueu Barbosa – preso 9 dias após a veiculação da reportagem no Fantástico, que foi ao ar em 14 de maio de 2017 -, o cabo PM Gerson Luiz Ferreira, acusado de ser o operador da central clandestina, também teve mandado de prisão cumprido.

Já na deflagração da operação “Esdras”, no dia 27 de setembro deste ano, foram presos a personal trainer Helen Christy Lesco, o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, além de coronel da PM, Airton Benedito Siqueira Junior, o também coronel da PM e ex-Chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, o sargento João Ricardo Soler, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, além do ex-secretário da Casa Civil, Paulo César Zamar Taques. Todos são acusados de obstrução à Justiça.

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