CABO DEVE FIRMAR DELAçãO JUNTO AO STJ
24.10.2017

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, estaria disposto a iniciar um processo de negociação de delação junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável pelas investigações dos grampos telefônicos clandestinos que envolvem pessoas do alto escalão do governo Pedro Taques (PSDB) e da alta cúpula da Polícia Militar de Mato Grosso. 

"Se precisar, estou pronto para colaborar com tudo o que sei”, avisou Gerson para pessoas próximas. Ele está preso desde o dia 23 de maio. 

Gerson Corrêa também negou que tenha proposto qualquer tipo de delação ou colaboração premiada, até o momento. Mas deixou claro que poderá revelar várias informações que poderia envolver várias autoridades mato-grossenses. "Eu só prestei depoimento com 5% de informações. Se precisar falo tudo que sei, que fiz e que vi", pontuou. 

Os juristas ainda afirmam que Correa jamais escondeu provas propositalmente e que isso já foi dito e está nos autos do processo. 

Nos bastidores, a informação é que o cabo estaria esperando prestar esclarecimentos junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para iniciar uma possível tratativa de delação premiada. 

Diante da possibilidade de uma delação premiada, o sinal de alerta se ascendeu, pelo menos internamente, dentro do Palácio Paiaguás e do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). 

Sobre a possibilidade de "falar tudo o que sabe", a defesa diz que o assunto não foi tratado com o cabo e por isso não pode comentar sobre o assunto. Os advogados Neyman Monteiro e Thiago Abreu também negaram qualquer tipo de negociação de uma possível delação ou colaboração premiada por parte do cabo Gerson Corrêa. 

"Não existe qualquer tratativa de delação. Para isso ocorrer a proposta teria que vir da defesa. E isso nunca ocorreu. O depoimento dele [Gerson Corrêa] na semana passada fez parte do inquérito a Operação Esdras, apenas isso", disse Abreu. 

Sobre a possibilidade de "falar tudo o que sabe", a defesa diz que o assunto não foi tratado com o cabo e por isso não pode comentar sobre o assunto. 

Em depoimento na semana passada a delegada Ana Cristina Feldner, Gerson disse que os grampos telefônicos ilegais e clandestinos praticados em Mato Grosso tinham objetivos estritamente políticos. 

Também disse que o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, teria patrocinado as interceptações, com R$ 50 mil, que foram repassados ao coronel Evandro Alexandre Lesco, ex-chefe da Casa Militar. 

As escutas começaram nas eleições de 2014 e, segundo Gerson Correa, os alvos na época eram os adversários do então candidato ao governo de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB). 

Gerson Correa Júnior é apontado como o operador do sistema de espionagem ilegal. Ele trabalhou mais 10 anos no Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e lá era chefiado por Lesco. 

No depoimento, ele ainda teria citado a juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda. E deu detalhes sobre o funcionamento das interceptações no Gaeco. 

Ainda de acordo com o cabo, os HDs do "Sistema Sentinela" teriam sido destruídos com todos os arquivos e áudios das interceptações clandestinas. 

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