DELEGADO: PRISãO DE CORONéIS FOI “MANOBRA” CONTRA INVESTIGAçãO
24.10.2017

O delegado Flávio Stringueta, que atuou nas investigações sobre o esquema de grampos ilegais no Estado, afirmou que as prisões dos coronéis Alexandre Mendes (ex-corregedor-geral) e Victor Fortes (ex-diretor de Inteligência), por suposto “vazamento” de informações, foi apenas uma “manobra” para retirá-los dos respectivos cargos e atrapalhar as investigações.

 

Outra manobra, segundo o delegado, foi a exoneração dos coronéis Jorge Luiz Magalhães e Heverton Mourett dos cargos de comandante-geral e sub-chefe da Polícia Militar, respectivamente.

 

A informação consta em relatório enviado por Stringueta à delegada Ana Cristina Feldner, que também investigou as interceptações clandestinas antes de o caso “subir” ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

O esquema dos grampos era viabilizado pela prática da “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

 

Os coronéis Alexandre Mendes e Victor Fortes foram presos no dia 23 de junho e soltos no dia 27 do mesmo mês.

Parece bastante claro que a troca de comando da PM/MT e a prisão dos dois coronéis foi articulada para que as investigações do IPM sobre a presidência do coronel Jorge Catarino ficassem como os investigados queriam,

 

A prisão ocorreu após o governador Pedro Taques (PSDB) enviar um ofício ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos, dando conta de que os dois teriam vazado informações sobre prisões que seriam decretadas posteriormente contra outros militares.

 

Para Stringueta, a prisão dos dois soou “estranha”, uma vez que ambos foram acusados pelo governador de terem repassado informações sigilosas das investigações aos coronéis Evandro Lesco (ex-chefe da Casa Militar), Ronelson Barros (ex-adjunto da Casa Militar) e Airton Siqueira Júnior (ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos).

 

Lesco e Siqueira estão presos desde o final de setembro, enquanto Barros cumpre prisão domiciliar.

 

“Não faz nenhum sentido o nosso governador Pedro Taques ficar incomodado com algum possível vazamento que beneficiaria justamente membros de seu staff, faz? Por que então o Exmo [excelentíssimo] governador fomentou a prisão de ambos?”, questionou.

 

Viagem e substituições

 

O delegado afirmou que um dos motivos que originou a situação foi uma viagem feita por Alexandre Mendes e Victor Fortes, juntamente com o então comandante-geral Jorge Luiz Magalhães e com o à época sub-chefe da PM, Heverton Mouret, à Procuradoria-Geral da República (PGR), “para tratarem justamente assuntos de interesse da investigação que o próprio governador deveria estar interessado, como assim declara quando fala à imprensa”.

 

“Conclui-se que tudo foi feito às claras pelos coronéis, sendo que seus superiores, inclusive o governador, tinha conhecimento dessa viagem e, provavelmente, de sua finalidade. Caso contrário, referidos milicianos, altamente experientes, não se deixariam fotografar justamente em frente à PGR”.

 

De acordo com Stringueta, imediatamente após Alexandre Mendes e Victor Fortes terem sido presos, houve a troca de Jorge Luiz e Heverton Mouret no comando da PM, “tendo sido empossado como comandante-geral da PM/MT o secretário adjunto de Segurança Pública, o coronel Marcos Cunha”.

 

Com base nestes dados, o delegado traçou um resumo do que motivou as prisões e as substituições, afirmando ainda que ambas as medidas foram “manobras”.

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