CABO ASSUME QUE CRIOU
28.11.2017

O cabo da Polícia Militar, Gerson Correa Júnior, apontado como o principal operador do "Sentinela", o sistema de interceptações telefônicas clandestinas da Polícia Militar e do Gaeco de Mato Grosso, entregou em outubro à Policia Judiciária Civil um relatório de informações em que justificou o grampo contra a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), uma das vítimas da quebra de sigilo telefônico ilegal. A informação consta do termo de exibição e apreensão da PcC sobre o depoimento prestado por Gerson Corrêa ao delegado Flávio Stringueta no âmbito do inquérito policial que investigava a atuação da organização criminosa que realizava os grampos ilegais. 

De acordo com o depoimento, Corrêa tinha sido informado pelo então coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), promotor Marco Aurélio de Castro, em agosto de 2015, para comparecer ao gabinete da juíza Selma Rosane Santos Arruda, em Cuiabá. Chegando ao local, Selma relatou que recebeu uma denúncia de uma servidora do TJ-MT, que atuava em outra Vara, que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), José Riva, estariam tramando sua morte. “Em agosto de 2015 fui convocado pelo doutor Marco Aurélio de Castro para comparecer até o gabinete da doutora Selma Arruda, que tinha uma informação de uma ameaça a vida dela. Ia ser instaurado um procedimento investigatório no Gaeco para apurar as denúncias. Fui sozinho até o gabinete, e ela me passou os nomes de algumas pessoas que poderiam estar envolvidas nesta ameaça. Eram pessoas ligadas ao senhor Silval Barbosa e ao senhor José Riva. Ela tomou conhecimento através de uma assessora de outro juiz”, diz trecho do depoimento.

Gerson Corrêa segue relatando que passou as informações da denúncia ao então coordenador do Gaeco e que, logo em seguida, recebeu a ordem do promotor de justiça para “criar um cenário” que justificasse a interceptação telefônica contra as pessoas que supostamente estariam tramando contra a vida da juíza. “Procurei o coordenador, reportei a ele a situação. Passei essa informação e ele determinou que eu criasse um cenário, que criasse essa situação, incluindo os telefones das supostas ameaças. Era para criar um cenário, uma história cobertura, e incluir essas pessoas. Assim foi feito, criei o cenário, fiz o relatório, e inclui algumas pessoas”, diz outro trecho do depoimento.

O cabo afirma, ainda, que os dois números que seriam de Janaína Riva lhe foram repassados com a justificativa de que o ex-presidente do Legisltivo, José Riva, os utilizava, “apesar de estarem cadastrados no nome da deputada Janaína”. O policial teria pedido para incluir os números num pedido de autorização da justiça sobre uma investigação contra membros da PM que estariam ligados ao tráfico internacional de drogas, numa ação que tramita na comarca de Cáceres (222 km de Cuiabá).

Correa acrescentou que, em seguida, descobriu que nenhum dos telefones eram usados por Riva ou Janaína. “Foi me repassado esses dois telefones como sendo utilizado pelo senhor José Geraldo Riva, em que pese os cadastrados estarem atrelados na pessoa de Janaína Riva. Eu peguei esses dois telefones e inclui na interceptação telefônica determinada pela comarca de Cárceres, no âmbito da polícia militar. Depois constatei que nem Janaína e nem Riva estava utilizando o telefone”, disse Gerson Corrêa.

O policial militar disse ainda que as interceptações dos números duraram um mês e que ele repassava as informações diretamente ao coordenador do Gaeco, Marco Aurélio de Castro, e que não foram constatadas nenhuma ameaça a juíza Selma Rosane Santos Arruda que pudessem subsidiar outras medidas no âmbito da Justiça, do MP-MT ou da própria polícia. “As informações eu passava diretamente para o douto Marco Aurélio. Foi um mês de interceptações. Não tinha nenhuma ameaça que pudesse subsidiar a adoção de outras medidas”, assinalou.

Gerson Corrêa prestou depoimento à PJC em outubro no que foi um dos últimos atos da Policia Judiciária Civil de Mato Grosso acerca das interceptações, uma vez que o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell Marques, reivindicou os autos da investigação. Corrêa confirmou a existência da central clandestina de inteligência da polícia, e disse que o idealizador da iniciativa foi o ex-Chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

Apesar de colaborar com as investigações, Correa segue detido há seis meses. Além dele, segue preso o coronel reformado da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa.

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