CONCESSIONáRIAS EM MT COMEçAM A RETOMAR CRESCIMENTO APóS CRISE E DEMISSãO DE 4 MIL FUNCIONáRIOS
16.11.2017
A instabilidade política seguida pela crise econômica que vêm assolando o país nos últimos dois anos resultou em desemprego para pelo menos quatro mil funcionários de concessionárias em Mato Grosso, onde 80 empreendimentos fecharam as portas. Em 2017, contudo, os números começaram a melhorar e o setor passa a vislumbrar uma melhora no cenário a partir do próximo ano, com crescimento discreto de 8% na margem de lucro. A avaliação é do presidente da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Paulo Boscolo.  

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“2017 representa para nós o início da retomada ou, no mínimo, o fim da queda. Os prejuízos acumulados ao longo dos últimos dois anos geraram problemas muito graves, inclusive muitos fechamentos. Isso fez com que as operações concessionárias fossem ajustadas, volume de vendas e tudo, muita coisa se transformou”, explicou Boscolo, que também é dono da Tauro Motors Mitsubishi, em Cuiabá.  

Ao Agro Olhar o empresário conta que, embora o segundo semestre do ano ainda não represente um volume muito forte de reação, sendo esta praticamente nula, a perspectiva gerada pelo número de vendas é  muito importante. “A perspectiva é estimada em 8%. Parece muito, mas no caso de uma concessionária que vendia 10 carros, por exemplo, o número cresce pra 11, pra quem vendia 20, passa pra 22, é um número importante mas não chega apresentar uma grande virada.”

Diante da situação de contenção o mercado reagiu como o esperado: reduziu custos, com demissões e ajustou os quadros de funcionários e fornecedores. A somatória acaba tornando o custo menor. O cenário é comparado ao de 2006, quando o setor automobilístico experimentou uma crise parecida. “Voltamos 10 anos na história das vendas. Então acredito que o crescimento se dê como o que aconteceu nesse período, ao longo de 2007, 2008. A queda foi bruta, mas a retomada será lenta e gradualmente.”

Somados aos problemas impostos pelo período de recessão, os dois meses de greve no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) trouxeram a sombra da insegurança sob as operações do setor. Isto porque, sem o serviço é impossível transferir documentos dos carros usados ou fazer emplacamento. Sendo assim as venda aconteciam, mas a mudança para o novo proprietário não.

“É um risco para o cliente, que não tem assegurada a venda e para o antigo dono, que fica sujeito a multas em seu nome, dentre outras coisas. No caso dos financiamentos, os bancos só pagam as lojas mediante alienação de bens. Se não existe documento, não existe alienação. Prejuízo enorme, principalmente em época de pagamento de décimo terceiro. Foram inúmeros clientes que desistiram da compra em cima da hora por conta desses fatores”, diz Boscolo.

Ele explica que os números são baseados em emplacamento, então, em setembro, por exemplo o Brasil cresceu 2%/3% , enquanto que em Mato Grosso foi registrada uma queda de 40%. A Federação assegura que não houve tanamanha queda de vendas, mas os números registrados são esses. Sendo assim, ainda não é possível fazer um diagnóstico mais aprofundado sobre a situação. “Acreditamos que, se até o final do mês o Detran funcionar normalmente, teremos uma atualização da demanda. Por enquanto estamos no escuro.”

Mesmo assim o presidente estima que o Estado chegou a ter mais de 2 mil veículos circulando sem documentos durante o período de paralisação. “Não estamos aqui julgando o mérito do servidor, que está defendendo os direitos dele, nem a atitude do governo em endurecer o jogo. O fato é que nós, como contribuintes, ficamos sem o serviço.”

É por esse motivo que a Federação defende um processo de privatização de alguns setores do Detran, principalmente na vistoria.  “Já tem vários estados que fazem dessa maneira e é um sucesso. Um exemplo é Santa Catarina. Lá tem uma frota de mais que o dobro da nossa e tem menos da metade dos servidores, e funciona.”

Na última semana a Federação e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de Mato Grosso (SINCODIV) chegaram a divulgar uma carta deixando explícito o posicionamento e a preocupação com os reflexos da greve no Detran.  “A terceirização da vistoria é a solução e não causará nenhum prejuízo à sociedade ou aos cofres públicos. Pelo contrário, vai beneficiar a sociedade em momentos como os últimos dois meses”, diz trecho.

Foi informado ainda que a FENABRAVE-MT/SINCODIV estão há quase um ano solicitando ao Governo do Estado de Mato Grosso que seja implantado a vistoria terceirizada. Confira aqui a íntegra da carta

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