BARRADO PELO PT, DEPUTADO ALEGA QUE DESCOBRIRIA DESVIOS E DEVE IR AO PV
31.01.2018

O deputado estadual Allan Kardec (PT) lamentou a decisão do seu partido, que decidiu pela não participação da legenda na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), que irá investigar o suposto uso indevido de fundos constitucionais por parte do Governo do Estado. A "CPI das Pedaladas" foi instalada nesta terça-feira e Kardec havia participado da reunião, sendo indicado como sub-relator da comissão.

Kardec afirmou que não concorda com a decisão do seu partido, mas irá acatá-la. Ele destacou também que teria obrigatoriamente que participar do encontro de abertura. “Não poderia ter deixado de participar da reunião de instalação, mesmo antes da executiva estadual do PT deliberar pela não participação do partido na CPI. Não participei da executiva e nem faço parte dela. Já recebi até uma mensagem do deputado Valdir Barranco e mesmo não concordando com a formatação da CPI e também não concordando com a decisão do Partido dos Trabalhadores, eu devo acatar”, afirmou o deputado em entrevista a Rádio Capital FM.

Ele também explicou que havia sido costurado um acordo com o presidente da AL-MT, Eduardo Botelho (PSB), de aguardar a formação dos novos blocos, após o retorno do recesso, mas que não foi cumprido. Allan Kardec explicou que foi por esse motivo que a deputada Janaina Riva (PMDB) deixou a comissão.

“Nós lutamos muito para abrir essa CPI e conseguimos 15 assinaturas em uma sessão extraordinária em janeiro, já que ficou flagrante o uso indevido destes recursos. Depois disso, tivemos um acordo no colégio de líderes para que se aguardasse o retorno da legislatura para se definir os integrantes. O presidente Eduardo Botelho, que tinha feito este acordo com as lideranças partidárias, tocou a composição, o que gerou um descontentamento dos deputados. A deputada Janaina, que estava sendo indicada, para compor a Comissão pelo bloco da oposição, se manifestou de forma contrária. Como eu estava na suplência, automaticamente eu subi para a titularidade”, disse.

Kardec afirmou que não concorda com a decisão do partido tendo em vista que, mesmo em minoria, poderia buscar elementos que pudessem comprovar as irregularidades supostamente cometidas pelo governo estadual. Ele classificou como “equivocada” a posição do PT, em relação a CPI.

“Não concordo porque lutamos para isso. Sou servidor público da educação, com mestrado em educação e tenho todas as condições de estar trabalhando em uma situação que nós já pegamos um flagrante do uso indevido deste recurso, e só com a CPI conseguiremos quebrar sigilos fiscais e bancários para saber a origem, mas infelizmente, não estaremos mais lá dentro. Sabemos que vamos ser vencidos dentro da CPI. Nosso relatório, mesmo separado, será vencido, mas estaremos mostrando para a sociedade uma realidade que está exposta. Como membro da CPI, poderia apresentar requerimentos e solicitações de informação de uma forma melhor, do que um deputado que está no plenário. Os dados que seriam levantados seriam mais eficientes, para que pudéssemos mostrar. Infelizmente vemos uma mobilização da própria Assembleia Legislativa que enfraquece o trabalho de fiscalização. A sociedade precisa saber onde foi utilizado R$ 230 milhões de dinheiro que era carimbado para a educação. Esta é uma questão que precisávamos de ter resposta. Acho que é um equívoco esta posição do PT”, apontou.

SAÍDA DO PT

A "saída forçada" da CPI pode ser o estopim para Allan Kardec deixar o Partido dos Trabalhadores. O parlamentar já não é visto em atos relacionados ao partido nos últimos meses.

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