INFRATOR GANHA CRéDITO PARA EXTRAIR MADEIRA EM MATO GROSSO
02.02.2018

O ano passado foi generoso com Hidemar Finco. Mesmo após ser autuado e embargado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por fraudar documentos e roubar árvores da Terra Indígena (TI) Parque do Aripuanã, o madeireiro obteve do governo de Mato Grosso uma nova licença de exploração florestal.

 

Dono de duas fazendas vizinhas no norte do Estado, Finco é um dos beneficiários da explosão na concessão de créditos florestais para a exploração de madeira nativa.

 

Só no ano passado, a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) autorizou a extração de 7.117.049 m3 de árvores nativas. Houve até um caso de autorização dentro de terra indígena, o que é proibido por lei.

 

Esse volume é maior do que a soma dos demais oito Estados da Amazônia Legal, apesar de o Mato Grosso conter só 18% da região. Se usados, os créditos seriam suficiente para carregar com toras mais de 375 mil caminhões de pequeno porte.

 

Segundo o Ibama, o Estado não tem floresta suficiente para a quantidade de extração autorizada.

 

Os créditos que o madeireiro recebeu em julho são do mesmo tipo que, sete meses antes, ele teria usado para tentar esquentar os dois caminhões carregados de tora apreendidos e destruídos dentro da TI Parque do Aripuanã, segundo o Ibama.

 

Nessa operação, realizada em 13 de dezembro de 2016 e acompanhada pela Folha, o Grupo Especializado de Fiscalização, unidade de elite do Ibamaachou, dentro dos caminhões, guias florestais e uma nota fiscal de combustível em nome de Finco. Os motoristas fugiram com a chegada dos agentes.

 

As guias, emitidas pelo governo de MT, autorizam a comercialização de madeira extraída na fazenda Taquara 1, pertencente a Finco. A propriedade fica a menos de 6 km em linha reta do local da apreensão e é limítrofe com a terra indígena, habitada pelos cinta-larga.

 

A investigação do Ibama concluiu que as guias florestais apreendidas seriam usadas para dissimular a origem ilegal das toras –o modus operandi de madeireiros ilegais da Amazônia para burlar a vigilância.

 

Em Mato Grosso, o Sisflora (Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais) usa estimativas de volume de árvore em pé, apresentadas pelo solicitante e checados por amostragem.

 

A metodologia pouco precisa abre espaço para inventários de árvores superestimados ou planos de manejo onde já não há mais madeira de valor comercial. Esses créditos muitas vezes lavam as extrações ilegais feitas em áreas protegidas.

 

Logo após o flagrante, Finco foi bloqueado no sistema do DOF (Documento de Origem Florestal), documento obrigatório para transporte de madeira, e recebeu R$ 400 mil de multa, que, como é comum em crimes ambientais, dificilmente será paga.

 

 

Catarinense, o madeireiro mora na violenta Colniza (1.080 km ao norte de Cuiabá), um dos centros da madeira ilegal da Amazônia. Em abril do ano passado, nove posseiros e trabalhadores rurais foram assassinados a mando do madeireiro Valdelir de Souza, segundo as investigações. Ele está foragido.

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