ACUSADOS REVELAM FATOS NOVOS QUE PODEM COLOCAR DELAçãO EM RISCO
28.02.2018

 

 

A delação premiada feita pelo ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Moreira Lopes, o Dóia, corre o risco de ser anulada. Ele pode ter se utilizado da chamada delação seletiva.

 

A delação entregou um esquema de lavagem de dinheiro e distribuição de propina operado por meio das empresas EIG Mercados e Santos Treinamento junto à autarquia – e serviu de base para a deflagração da Operação Bereré, na semana passada.

 

Segundo apurou o MidiaNews, fatos novos obtidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Delegacia Fazendária revelam que Dóia pode ter feito uma delação direcionada, ou seja, omitindo fatos criminosos ou direcionado seu depoimento para proteger eventuais envolvidos no esquema.

 

A delação revela uma certa fragilidade, sobretudo no que diz respeito à juntada de provas. Em outros pontos, o Dóia foi muito vago. E agora, os suspeitos estão trazendo fatos que poderão colocar em risco o acordo

A constatação passou a ser admitida pelos promotores de Justiça do Gaeco e delegados após o início dos depoimentos dos 49 denunciados, que tiveram pedidos de prisão negados pelo Tribunal de Justiça.

 

Em um dos depoimentos, um empresário, que segundo o MPE pertence ao grupo núcleo que operava o esquema, citou pelo menos duas empresas que também praticariam outros tipos de crimes de corrupção no Detran-MT.

 

Segundo o empresário, que tenta fazer uma delação premiada, Dóia teria conhecimento dos esquemas e, também, seria beneficiado.

 

Uma das empresas citadas pelo empresário é a Thomas Greg e Sons do Brasil Ltda., que seria suspeita de participação em casos de corrupção. A empresa presta serviço há anos na autarquia em serviços como aplicação de provas teóricas e emissão de habilitação.

 

Em uma entrevista, em 2011, Dóia deu uma entrevista elogiando a empresa por sua parceria com o Detran-MT, mostrando “profissionalismo, agilidade e responsabilidade”.

 

"Fragilidade"

 

Uma fonte envolvida nas investigações da Operação Bereré confidenciou ao MidiaNews que, já nos primeiros depoimentos, os suspeitos revelaram fatos novos que podem comprometer o acordo feito entre o MPE e Dóia, e homologado pelo TJ-MT.

 

“Analisando criticamente, a delação revela uma certa fragilidade, sobretudo no que diz respeito à juntada de provas. Em outros pontos, o Dóia foi muito vago. E agora, os suspeitos de participar do esquema estão trazendo fatos que poderão, sim, colocar em risco o acordo”, disse a fonte.

 

“Há narrativas sobre suspeitas de novos esquemas que, se confirmadas, podem comprometer Dóia, pois seriam praticamente impossível o cometimento do delito sem a ciência do então presidente da autarquia”, disse.

 

Segundo a fonte, Dóia também pode ter se "poupado" na delação. "O valor que ele diz ter recebido durante todo o esquema criminoso é relativamente pequeno, se comparado ao montante movimentado entre a EIG Mercados e a Santos Treinamento", disse.

 

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