TAQUES ALEGA QUE MULTA DE R$ 100 MI IMPEDIU RESCISãO DE CONTRATO ALVO DO GAECO
19.02.2018

O governador Pedro Taques (PSDB) inaugurou na manhã desta segunda-feira um posto do Detran, no Shopping Goiabeiras, e comentou sobre a Operação Bereré, deflagrada pela Delegacia Fazendária e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), para investigar fraudes no Detran.

Taques afirmou que não acompanhou o desenrolar da ação e optou por adotar cautela ao analisar a ação do Gaeco. “Eu não vi a operação e não tive tempo de acompanhar, na imprensa, o que está ocorrendo, mas temos que dar o direito constitucional a defesa aos cidadãos. Não vamos condenar quem quer que seja, antes do julgamento final. O Gaeco é independente e é uma decisão do Tribunal de Justiça. O poder executivo não tem absolutamente o que comentar disso, a não ser garantia de defesa, a aqueles que porventura estejam sendo investigados”, disse.

Um dos alvos da Operação foi o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) e um dos principais aliados do governador, o deputado estadual Eduardo Botelho. Taques afirmou que irá conversar com o parlamentar e ressaltou que não irá ‘julgá-lo’. “O Botelho é meu amigo e aliado. Não tenho vergonha disso. Isto será investigado. Temos que dar a ele o direito de ampla defesa e do contraditório. Não vou julgá-lo por esta busca e apreensão. Se fosse desta forma, não viveríamos em uma democracia. Vou ligar para o Botelho e perguntar a ele o que ocorreu”, sentenciou.

Outro ponto abordado por Pedro Taques é relativo ao fato de que foi justamente a atual administração que denunciou o esquema ao Ministério Público Estadual (MPE). Ele afirmou que desde o início do seu governo, em 2015, os presidentes do Detran têm tratado do caso e já tentou rescindi-lo.

“Eu assumi o governo em 2015, quando iniciamos as tratativas para rescindir o contrato. Temos inclusive ofícios encaminhados ao Ministério Público, junto com as respostas do MPE, dizendo que precisa de decisão judicial, uma vez que a multa estabelecida no contrato, em 2009, era de mais de R$ 100 milhões. Na nossa administração, o lacre caiu de R$ 20 para R$ 2. Temos documentos de que pedíamos esta rescisão”, afirmou.

A operação tem como base a delação do ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes, o "Doia". A delação foi firmada há cerca de dois anos, mas somente neste ano foi homologada pelo Tribunal de Justiça.

ESQUEMA

Nos depoimentos aos promotores de Justiça e delegados da Polícia Civil, Dóia teria dado detalhes sobre os bastidores dos supostos esquemas, citando valores de propinas, como e onde o dinheiro era sacado, nomes de quem as recebiam e destinatários finais.

Um dos contratos que teria fraudes é o firmado com a empresa FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda. (atual EIG Mercados Ltda.), responsável pelo registro de financiamentos de contratos de veículos, necessário para o primeiro emplacamento, e que estaria no epicentro de um dos esquemas.

Volumes milionários de dinheiro teriam em tese saído da FDL, em forma de propina, e alimentado uma organização criminosa desde 2009. O irmão do ex-governador Silval Barbosa, empresário Antonio Barbosa, em delação premiada junto a Procuradoria Geral da República, também entregou o esquema. Ele admitiu ter recebido propina relativo ao contrato com a EIG Mercados.

O esquema rendia cerca de R$ 1 milhão por mês de propina. O dinheiro era sacado numa agência do Banco do Brasil no Distrito Industrial, em Cuiabá.

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