CABO REVELA QUE CORONEL PAGOU SISTEMA DE ESCUTAS E PEDE QUEBRA DE SIGILO
20.02.2018

O juiz Murilo Mesquita, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, dá sequência nesta terça-feira (20) a audiência do caso dos grampos ilegais no Estado envolvendo militares. Hoje, serão ouvidas testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual.

Conforme consta na pauta de julgamento, estão previstos os interrogatórios das testemunhas de acusação Jorge Alexandre Martins Ferreira, do 2º sargento da Polícia Militar João Ricardo Soler e do empresário José Marilson da Silva.

Nesta ação, figuram como réus os coronéis da Polícia Militar, Evandro Lesco e Ronelson Barros; o tenente-coronel Januário Batista; e o cabo Gerson Luiz Correa Junior.

 

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12H50 - Acaba o depoimento de José Marilson e a audiência. A próxima audiência será realizada no dia 2 de março, às 8h30. 

12H34 - O advogado de Gerson afirma que o cheque que pagou o programa a Marilson era de Evandro Lesco. Ele afirma ainda que pedirá a quebra do sigilo bancário do ex-secretário da Casa Militar para comprovar a afirmação.

12H30 - Após uma longa explanação técnica sobre o Sistema Sentinela, o empresário José Marilson afirma que não conhece o coronel Evandro Lesco e que todas as tratativas para implantação do sistema foi com o cabo Gerson. Ele afirma que recebeu R$ 24 mil pela instalação do sistema e, provocado pelo advogado do cabo, revela que ainda faltou R$ 36 mil.

11H53 - O terceiro a depor nesta terça-feira é o empresário José Marilson dos Santos, dono da empresa Simples IP, que teria fornecido o equipamento que realizou as escutas ilegais. Ele afirma que, em meados de 2014, foi contatado pelo Cabo Gerson para desenvolver uma solução para um sistema de intercepção telefônica. Segundo ele, o policial lhe contou que o objetivo era investigar pequenos crimes. Na época, Marilson contou que a PM usava o sistema Guardião, do Gaeco, e Gerson explicou que pretendia desmembrar do órgão ligado ao Ministério Público. 

11H45 - Após mais algumas explicações técnicas, acaba o depoimento do sargento Soller.

11H29 -  Soller falou que muitas vezes outros agentes ouviam os áudios, mesmo sem ter o nome na decisão, para ajudar. Ele afirma que eram feitos mutirões para atualizar os relatórios das escutas. O sargento relata um caso de que um dos ouvidos foi um boliviano e foi necessário repassar para um tradutor decifrar o que ele dizia na ligação.

11H20 - A audiência prossegue com Soller explicando questões técnicas do funcionamento de escutas. Garante quenunca esteve na sede do edifício em que foi montado um escritório de escutas. "Só soube pela imprensa e depoimento da sargento Andrea", frisou.

10H50 - O sargento destaca a dedicação de Correa no Gaeco. "Cansei de comer pizza com ele a noite no Gaeco. Tinha operação que ele chegava a dormir lá", relata. Soller chora após o comentário e diz que se dedicava integralmente ao Gaeco para a sociedade. Soller se recupera a emoção e comenta como descobriu que um dos telefones usados pelos promotores do Gaeco foi grampeado. "Numa investigação sobre roubo de bancos, encontrei um número familiar. Daí, liguei do meu telefone pessoal e vi que era de um dos promotores do Gaeco. Daí brinquei e perguntei se ele queria que ouvisse ele mesmo. Daí, o promotor me explicou que devido ao cansaço teria trocado o DDD. Isso era relativamente normal", frisou, ao reclamar que os recursos humanos são limitadíssimos no Gaeco. Diz que deixou o grupo em setembro de 2014.  

10H40 - Soller reconhece que ficou constrangido com a divulgação do caso sendo inclusive humilhado por colegas. "Eu fui vítima de colegas em grupos de WhatsApp perguntando quanto eu cobrava para grampear ou escutar alguém", desabafou. Apesar de ficar no Gaeco por quatro anos, Soller diz atuado em escutas por cerca de quatro anos com o cabo Gerson. Neste período, segundo Soller, nuna viu nenhum ato ilegal de Correa. "Se ele ficou por tanto tempo lá, é porque ele era um bom profissional", admitiu.

10H38 - O sargento afirma que as invetsigações no Gaeco eram de acordo com os crimes. "Tráfico era um, roubo a instituição financeira era outro e crime contra administração pública era outro", frisa. Terminam as perguntas do Ministério Público e iniciam questionamentos da defesa de Zaqueu Barbosa.

10h31 - Soller detalha que Gerson dava treinamento aos novos funcionários do Gaeco para escutas telefônicas. "Era um algo bastante complexo, mas o Gerson dominava", frisa.

10H22 - No entanto, o sargento detalha que as ligações que ouviu tratavam-se de presidiários por causa das gírias usadas. "Em nenhum momento, ouvi nomes de autoridades apontadas na mídia", diz. Ele também salienta que tinha deixado claro ao cabo Gerson que não teria tempo de ajudar na central de escutas por estar atuando na Casa  Militar. "Depois disso, não tive mais contato com o promotor nem com o cabo Gerson. Só atuei nesse caso de Sinop", afirma.

10H18 - Soller diz que o cabo Torrezan criou um grupo de WhatsApp com nome de Sentinela para desenvolver o sistema de escutas. "Na época, acreditei que seria do setor de inteligência da PM", explica, ao acrescentar que achava que a investigação seria para apurar o assassinato de um estudante de Medicina morto por causa de uma caminhonete.

10H15 - Soller comenta que chegou a fazer a segurança pessoal do governador Pedro Taques (PSDB). Em Sinop, ele foi convidado pelo coronel Evandro Lesco, à época secretário da Casa Militar, para atuar na Procuradoria Geral da Justiça. "Ele me pediu para dizer que era uma indicação do Zaqueu", afirmou.

10H12 - Soller foi acusado de instalar uma câmara do tenente coronel José Henrique Costa Soares para gravar o desembargador Orlando Perri e deixá-lo suspeito para conduzir as investigações da "Operação Esdras". O sargento explica que atuou no Gaeco entre 2003 e 2015 e, em seguida, o coronel Ronelson Barros o convidou para ir para Casa Militar e atuar no setor de inteligência. 

10H00 - Termina o depoimento do juiz Alexandre Martins Ferreira. O próximo a depor é o sargento Soler, que atuava no Gaeco.

09H46 - O magistrado comenta que foi procurado pelo promotor Mauro Zaque que lhe afirmou que a Polícia Militar fez "cagada". "Após ouvir o relato, eu lhe disse que iria tomar minhas providências e o Mauro Zaque disse que já tinha tomado as dele", sintetizou.

09h42 - O juiz destaca que, em 13 anos, de magistratura, nunca ouviu nenhuma das escutas que autorizou. "Sempre confiamos nas autoridades". 

Ele afirma ainda que não conhece o cabo Gerson Luiz e relata que os pedidos para as escutas eram enviados via e-mail pelo coronel Zaqueu Barbosa.

09h38 – Jorge Alexandre afirma que, entre os réus, tinha contato com o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da PM. Segundo ele, o coronel sempre passou uma boa imagem, de pessoa séria e profissional. “Sei que alguém fez, mas quem fez eu não sei. Não posso suspeitar de ninguém”, declarou.

09h35 - O magistrado destacou que, durante um tempo, as escutas contra policiais militares foram suspensas porque o Gaeco (Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado) iniciou as investigações que culminaram com a “Operação Aprendiz”, que exigiu maior dedicação do cabo Gerson, que atuava no órgão ligado ao Ministério Público.

09h30 – O primeiro a depur é o juiz Jorge Alexandre, responsável por autorizar as escutas. Ele afirma que não tinha como checar os alvos dos pedidos solicitados pela alta cúpula da PM. “A não ser que mandasse ofício para as operadoras”, assinalou.

O magistrado destaca que todos os relatório que embasaram suas decisões foram assinados, supostamente, pelo cabo Gerson Luiz Correa Junior. 

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