GAECO E DEFAZ FAZEM "FORçA TAREFA" PARA OUVIR 5 DEPUTADOS E 7 CITADOS EM FRAUDES NO DETRAN-MT
27.03.2018

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) vai ouvir 12 investigados na “Operação Bereré” em quatro dias da próxima semana. Entre os alvos, estão cinco deputados estaduais, um ex-deputado e ainda o ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Sílvio César Correa Araújo.

Na última semana, o desembargador José Zuquim Nogueira autorizou a abertura de inquérito contra cinco deputados estaduais. Eles foram citados por servidores de seus gabinetes que receberam cheques da empresa Santos Treinamentos, que teria sido utilizada para o desvio de recursos através do contrato entre o Detran de Mato Grosso e a empresa FDL Serviços (atual EIG Mercados).

O primeiro a depor será o ex-deputado federal Pedro Henry (PP), apontado como um dos líderes do esquema. A oitiva ocorre no dia 2 de abril, às 14h30.

Neste dia, ainda vai prestar esclarecimentos Odanir Bortolini (PSD). No dia 3 de abril, estão agendados depoimentos dos deputados Baiano Filho (PSDB) e Romoaldo Junior (MDB), além do empresário Antonio Eduardo da Costa, um dos sócios da Santos Treinamento, e Silva e de Sílvio Correa.

Já no dia 4, o Gaeco marcou para ouvir Wilson Santos (PSDB) e Dalton Luiz Vasconcelos, considerado “braço direito” do deputado estadual Mauro Savi (DEM).  José Domingos Fraga (PSD) deve ser ouvido no dia 5, junto com Marilci Malheiros Fernandes, Luiz Fernando Flaminio e Maria de Fátia Azoia Pinoti, ligada a prefeita afastada de Juara, Luciane Bezerra (PSB).

INQUÉRITO CONTRA DEPUTADOS

No dia 22 de março, o desembargador José Zuquim Nogueira autorizou abertura de inquérito contra 5 deputados. A decisão ocorreu após assessores deles confirmarem que repassaram os cheques recebidos da Santos Treinamentos para os próprios parlamentares. Alguns, pagavam contas pessoais dos parlamentares.

O depoimento do ex-deputado José Riva na Delegacia Fazendária também esclareceu a ligação de alguns servidores da Assembleia com deputados estaduais e ex-deputados.

Deflagrada no dia 19 de fevereiro de 2018, a operação Bereré, do Ministério Público Estadual e da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e contra a Administração Pública (Defaz-MT), desbaratou uma quadrilha que lavava dinheiro e desviava recursos públicos por meio de empresas que prestam serviços ao Detran-MT. O bando agia desde 2009 e teria desviado em torno de R$ 1 milhão por mês.

Os principais alvos da operação são os deputados estaduais Eduardo Botelho e Mauro Savi, ambos do PSB, além do ex-deputado federal Pedro Henry. As investigações tem como base os depoimentos de colaboração premiada do ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o “Doia”, além do empresário Rafael Yamada Torres, outro delator do esquema.

Segundo as investigações, a Santos Treinamento e Capacitação é uma empresa fantasma que já teve entre seus sócios o presidente da AL-MT, Eduardo Botelho (PSB). A organização recebia recursos desviados da FDL Serviço de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos, que realiza junto ao Detran-MT o registro de financiamentos de veículos em alienação fiduciária.

Um dia depois da deflagração da operação, em 20 de fevereiro, Eduardo Botelho admitiu que conhecia a fraude e se disse “arrependido” de não ter deixado o quadro societário assim que soube do esquema, em 2011.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), José Zuquim Nogueira, determinou no dia 16 de fevereiro o sequestro de R$27.722.877,38 de 17 pessoas, entre físicas e jurídicas, envolvidas no esquema de lavagem e desvio de dinheiro no Detran de Mato Grosso. De acordo com o despacho do magistrado, o recurso era “desviado” do órgão para “retirar-lhe a sujeira que cobre a sua origem”. Entre as pessoas atingidas pela medida estão os deputados estaduais Eduardo Botelho, Mauro Savi, o ex-deputado federal Pedro Henry, além de sócios e lobistas que participaram do esquema

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