EX-DEPUTADO DETALHA ESQUEMA PARA IRMãO DE SILVAL; 5 DIVIDIAM R$ 500 MIL POR MêS EM MT
27.03.2018

O ex-deputado federal Pedro Henry (PP) teria “explicado” a Toninho Barbosa, irmão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido), o funcionamento do esquema de desvios de recursos e lavagem de dinheiro no Detran de Mato Grosso durante uma reunião em sua própria residência, em Cuiabá. Segundo ele, no ano de 2011, a FDL Serviços de Registros, organização que atua junto ao Detran no registro de financiamento de veículos em alienação fiduciária, repassava cerca de R$ 500 mil através de uma empresa de fachada por mês para políticos e empresários para que o governo continuasse com a “manutenção” do contrato.

A informação consta do depoimento do próprio Toninho Barbosa a Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz-MT) no dia 4 de dezembro de 2017. Além da Defaz-MT, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) também apura as fraudes por meio da operação “Bereré”, deflagrada no dia 19 de fevereiro de 2018.

Toninho explica que foi procurado por um dos ex-sócios da Santos Treinamento, empresa que, ao lado da FDL, realizava a prática de desvios de recursos e lavagem de dinheiro no Detran, Marcelo da Costa e Silva. “No ano de 2011, não se recordando a data exata, Toninho Barbosa foi procurado em seu escritório localizado no Centro Empresarial Paiaguás, nesta capital  o qual reconhece nesse ato como sendo a pessoa de nome Marcelo da Costa e Silva mediante fotografia que foi apresentada; o interrogando não sabe dizer de fato o que Marcelo Silva fazia, contudo ele dizia que trabalhava com Pedro Henry lhe afirmado possuir uma empresa de coleta ou incineração de lixo hospitalar nesta capital”, diz trecho do depoimento.

Em seguida, Marcelo teria citado que a empresa FDL possuía um repasse para entregar ao governo, ainda na gestão Silval Barbosa, agendando para o dia seguinte uma reunião  na casa do ex-deputado federal Pedro Henry. “Marcelo afirmou que referida empresa possuía um repasse para entregar ao atual  governo sendo que tal empresa se utilizava de outra empresa constituída no Estado de Mato Grosso para que esse repasse chegasse nas mãos das pessoas envolvidas, agendando uma reunião para o dia seguinte na casa do então deputado federal Pedro; assim no dia seguinte o interrogando compareceu na moradia de Pedro Henry juntamente com Marcelo da Costa e Silva”, narra.

O irmão do ex-governador afirma em seu depoimento que, durante a reunião, Pedro Henry citou o repasse de R$ 500 mil pela FDL como forma de realizar a manutenção do contrato. “Tendo Pedro Henry explicado ao interrogando nessa conversa que a empresa FDL pagava essa propina para as autoridades estaduais com o fim de manter seu contrato com o Estado de Mato Grosso sem nenhum incômodo que o repasse de propina que a FDL pagava girava em torno de R$ 500 mil mensais por conta do contrato que ela mantinha com o governo junto ao Detran e que referido valor seria dividido entre cinco participantes, destacando-se as pessoas do próprio Pedro Henry, Marcelo da Costa e Silva, Eduardo Botelho, o deputado estadual Mauro Savi, bem como com Silval Barbosa”, disse o irmão do ex-governador.

Toninho Barbosa disse a Pedro Henry  que “levaria” a situação ao ex-governador, que, por sua vez, o autorizou a tratar do assunto. “Assim o interrogando tratou desse assunto com seu irmão Silval Barbosa, explicando acerca do referido repasse, bem como das pessoas que estavam participando, tendo ele concordado, delegando ao interrogando poderes para tratar do assunto em seu nome”, disse Toninho Barbosa.

OPERAÇÃO

As fraudes no Detran são investigadas pela operação Bereré, deflagrada no dia 19 de fevereiro de 2018 pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), e também investigadas pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e contra a Administração Pública (Defaz-MT). Segundo os órgãos de segurança e controle, uma quadrilha lavava dinheiro e desviava recursos públicos por meio de empresas que prestam serviços ao Detran-MT. O bando agia desde 2009 e teria desviado em torno de R$ 1 milhão por mês.

Os principais alvos da operação são os deputados estaduais Eduardo Botelho e Mauro Savi, ambos do PSB, além do ex-deputado federal Pedro Henry. As investigações tem como base os depoimentos de colaboração premiada do ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o “Doia”, além do empresário Rafael Yamada Torres, outro delator do esquema.

Segundo as investigações, a Santos Treinamento e Capacitação é uma empresa fantasma que já teve entre seus sócios o presidente da AL-MT, Eduardo Botelho (PSB). A organização recebia recursos desviados da FDL Serviço de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos, que realiza junto ao Detran-MT o registro de financiamentos de veículos em alienação fiduciária.

Um dia depois da deflagração da operação, em 20 de fevereiro, Eduardo Botelho admitiu que conhecia a fraude e se disse “arrependido” de não ter deixado o quadro societário assim que soube do esquema, em 2011.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), José Zuquim Nogueira, determinou no dia 16 de fevereiro de 2018 o sequestro de R$27.722.877,38 de 17 pessoas, entre físicas e jurídicas, envolvidas no esquema de lavagem e desvio de dinheiro no Detran de Mato Grosso. De acordo com o despacho do magistrado, o recurso era “desviado” do órgão para “retirar-lhe a sujeira que cobre a sua origem”. Entre as pessoas atingidas pela medida estão os deputados estaduais Eduardo Botelho, Mauro Savi, o ex-deputado federal Pedro Henry, além de sócios e lobistas que participaram do esquema.

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