DEPUTADO DIZ SER
02.04.2018

O deputado estadual Ondanir Bortolini, o “Nininho” (PSD), prestou esclarecimentos ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) em relação a investigação da qual é alvo no âmbito da “Operação Bereré”, que apura desvios de recursos no Detran de Mato Grosso. Segundo ele, seu nome apareceu nas investigações porque recebeu o depósito de R$ 1 mil em sua conta bancária.

O parlamentar explicou que o cheque foi depositado na conta de seu ex-chefe de gabinete, Tschales Franciel Tschá, que havia contraído um empréstimo em uma factoring. “Foi uma transferência de R$ 1 mil em minha conta que foi feita pelo ex-chefe de gabinete Tschales Tschá que buscou empréstimo de uma factoring  e transferiu R$ 1 milda conta dele para a minha”, contou.

O deputado declarou que não tinha conhecimento da origem dos recursos emprestados e se considera “vítima”. “Eu não sei de onde vinha o dinheiro. Trata-se de um fato que ocorreu com mais de 200 pessoas que foram vítimas da circulação desses recursos da investigação. Eu fui vítima de ter passado R$ 1 mil pela minha conta e agora eu vou esclarecer”, explicou.

“Nininho” afirma que não existe qualquer possibilidade de ser apontado como parte integrante do esquema. “Se você tivesse um comércio e alguém fosse lá e te pagasse a conta com um cheque de terceiros e você deposita esse cheque, você faz parte desse esquema ou seria vítima? Eu nem sabia de esquema de Detran. Foi um empréstimo que meu chefe de gabinete pegou com quem, infelizmente, fez parte desse esquema”, comparou.

O parlamentar negou ter conhecimento sobre as fraudes investigadas na “Operação Bereré”, reforçando que é uma das 200 vítimas do esquema. Ele disse que, sequer, lembra-se de quem era o cheque que seu chefe de gabinete recebeu. “Eu não tinha conhecimento de esquema do Detran. Fiquei sabendo pela mídia, inclusive que meu nome estava envolvido por causa de R$ 1mil. Tem que procurar as pessoas envolvidas e não a mim que fui uma vítima de uma transferência. Eu não sei de quem era o cheque. Isso foi em 2013 ou 2014, eu não me lembro de quem era esse cheque não”, assinalou.

O outro depoimento agendado para tarde de hoje foi transferido. O ex-deputado federal Pedro Henry irá prestar esclarecimentos aos promotores e delegados na próxima sexta-feira, às 10h00.

CONEXÃO CONVESCOTE

Apesar de envolvido em duas operações, “Nininho” afirmou que Tchales Tchá segue prestando serviços a sua família. Atualmente, ele é diretor de uma das empresas que possui.

Além da “Bereré”, o ex-chefe de gabinete também é investigado na Operação Convescote, que apura esquema de corrupção na Assembleia Legislativa através de contratos do convênio entre a Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual) e empresas fantasmas, junto a órgãos públicos. “Não me incomoda de forma nenhuma. Uma coisa é ser acusado, outra coisa é ser cúmplice, se todo mundo for acusado nesta investigação há 200 pessoas, todas essas pessoas são cúmplices então? Ele ainda é meu funcionário ainda, mas não trabalha mais na Assembleia, trabalha na empresa familiar”, concluiu.

Ondanir Bortolini é um dos cinco deputados investigados pelas fraudes no Detran de Mato Grosso. Além dele, figuram como investigados Wilson Santos (PSDB), Baiano Filho (PSDB), Romoaldo Junior (PMDB) e José Domingos Fraga Filho. O presidente da Assembleia, deputado Eduardo Botelho (DEM), e o deputado Mauro Savi (DEM) já são investigados desde o início da operação, sendo apontados como líderes das fraudes.

Nesta semana, o Gaeco vai ouvir, além dos deputados, outras 7 pessoas investigadas. Entre elas, destaca-se o ex-deputado federal Pedro Henry e o ex-chefe de gabinete de Sílval Barbosa, Sílvio César Correa Araújo.

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