ADVOGADO RECEBE R$ 1,4 MILHãO DE PROPINA ANTES DE TAQUES ASSUMIR COMANDO DE MT
09.05.2018

O Ministério Público Estadual (MPE) apontou, no pedido de prisão feito junto ao desembargador José Zuquim Nogueira, relativo a "Operação Bônus", segunda fase da "Operação Bereré", apontou que o advogado Paulo Taques, ex-secretário da Casa Civil e primo do governador Pedro Taques (PSDB), cobrou propina no esquema existente no Detran (Departamento Estadual de Trânsito), antes mesmo do grupo assumir o comando político do Estado em janeiro de 2015. Segundo o órgão ministerial, o valor acordado ficou em R$ 1,4 milhão anual sendo que o executivo Valter Kobori atuou como intermediador.

De acordo com o MPE, o ex-secretário fez o pedido valendo-se de sua relação de parentesco com o governador Pedro Taques (PSDB), eleito em 2014. Ele foi um dos coordenadores da campanha e era considerado um dos homens fortes do grupo.

Segundo o órgão ministerial, ele sequer esperou seu primo tomar posse para negociar o esquema de propinas no Detran. “Ficou evidenciado que tendo conhecimento da existência da organização criminosa e do esquema ilícito operado dentro do Detran, Paulo Cesar Zamar Taques, Pedro Jorge Zamar Taques e Valter José Kobori, os dois primeiros primos do atual governador e amigos de longa data do terceiro, tomaram parte da organização e iniciaram a solicitação e recebimento de propina em razão do cargo público que futuramente Paulo Cesar Zamar Taques viria a ocupar”, aponta o MPE.

Ainda segundo o MPE, foi de Kobori, ex-executivo da EIG Mercados Ltda, a ideia de pagar a propina para Paulo Taques através do escritório de advocacia. Foi então que eles assinaram, em 6 de outubro de 2014, dia seguinte ao pleito que elegeu Pedro Taques, um substabelecimento em que o escritório de advocacia que atendia a EIG, repassava a Pedro Jorge Zamar Taques os poderes outorgados para a defesa de interesses da empresa.

De acordo com José Ferreira Gonçalves Neto, dono da EIG, o pagamento da propina acabou não sendo feito da forma pretendida por Kobori, que então se dispôs a ser um ‘atravessador’, recebendo os valores pessoalmente, como um ‘bônus’ pelos serviços prestados à empresa, e repassando-a para Paulo Taques. Segundo o MPE, o valor ficou em 1,4 milhão anual.

A primeira parcela do bônus anual foi repassada em dezembro de 2014. A transferência foi flagrada nos relatórios técnicos bancários da Delegacia Fazendária.

Nesta segunda fase da "Operação Bereré", foram cumpridos seis mandados de prisão. Além de Paulo Taques, Valter Kobori e Pedro Jorge Taques, foram detidos os empresários Roque Anildo e Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, conhecido como "Grilo", e o deputado estadual Mauro Savi (DEM).

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