DEPUTADO CHAMA DENúNCIA DE "ABSURDA"; IRMãO RECEBE R$ 60 MIL EM MT
18.05.2018

O irmão do deputado estadual Wilson Santos (PSDB), Elias Pereira dos Santos, é acusado pelo Ministério Público Estadual de ter recebido R$ 60,750 mil num esquema de corrupção do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) descoberto nas investigações da "Operação Bereré"entre os anos de 2011 e 2015. Os recursos seriam provenientes de um esquema de pagamento de propina de uma empresa para manutenção de um contrato de prestação de serviços.

A informação consta da denúncia oferecida pelo MPE que apura as fraudes no órgão. De acordo com as investigações, o esquema distribuiu R$ 30 milhões em propinas entre os anos de 2009 e 2016 aos servidores, empresários e políticos notórios do Estado.

A representação do MPE aponta que dos R$ 60,750 mil pelo menos R$ 12,6 mil foram destinados ao deputado estadual Wilson Santos por meio de quatro cheques emitidos em 2015. “Consta no Relatório Técnico de análise bancária que nas datas de 22 de maio, 01 de junho, 03 de julho e 06 de agosto de 2015 Elias Pereira dos Santos Filho, irmão de Wilson Santos, a mando deste, trocou no caixa do banco, bem como descontou em sua conta bancária quatro cheques emitidos por Eduardo Botelho nos valores de R$ 600,00, R$ 5.000,00, R$ 4.000,00 e R$ 3.000,00, destinado a Wilson Pereira Dos Santos”, diz trecho da denúncia.

Em depoimento na tribuna da Assembleia Legislativa na última quarta-feira (16), Wilson Santos criticou a denúncia do MPE dizendo que irá interpor uma ação por indenização de danos morais. Elias Santos é servidor comissionado da AL-MT.

OUTRO LADO

Em fala na tribuna da Assembleia, o deputado Wilson Santos repudiou a denúncia do Ministério Público contra si. O líder do Governo Pedro Taques destacou que nenhum dos delatores da operação citou seu nome como beneficiário da propina. "Ninguém. Nem seu Doia, nem o dono da EIG, nem Silval, nem Roque, nem Grilo e gafanhoto falaram que Wilson Pereira dos Santos recebeu dinheiro do Detran. Um absurdo essa denúncia", desabafou o parlamentar.

Wilson afirmou que foi chamado ao Gaeco onde prestou depoimento por apenas 10 minutos e saiu convicto de que não seria denunciado. "Falei sobre um cheque de R$ 19,6 mil que teria recebido do deputado Botelho. Quero dizer que nunca tive nenhum negócio com o Botelho, nem como pessoa física, nem como jurídica", diz.

O tucano considerou estranha a denúncia de que teria "lavado" recursos desviados do Detran. Segundo ele, os números indicam isso. "Falam que lavei R$ 19 mil. A prática de lavagem é de que 10% ficam com quem foi usado. Ora, então quer dizer que teria participado de um esquema e ficado com R$ 1,9. É inimaginável isso", ironizou.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO- Criminal) e Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ofereceu na última quarta-feira (16) a denúncia criminal relativa às Operações Bereré e Bônus. Ao todo foram denunciadas 58 pessoas. Entre elas, sete deputados estaduais, um ex-governador e seu chefe de gabinete, um ex-deputado federal, um ex-secretário de Estado, além de um ex-chefe de Autarquia. O grupo inclui, ainda, parentes dos gestores denunciados e empresários.

Além de responderem por constituição de organização criminosa, aos denunciados foram imputados os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. Na denúncia, foram apresentados 37 fatos ocorridos entre os anos de 2009 a 2016.

Da Assembleia Legislativa, foram denunciados o presidente do Parlamento Estadual, José Eduardo Botelho e os deputados Mauro Luiz Savi (DEM), Zé Domingo (PSD), Wilson Santos (PSDB), Baiano Filho (PSDB), Nininho (PSD) e Romoaldo Júnior (MDB). Também figuram como réus o ex-governador Silval da Cunha Barbosa, o ex-deputado federal Pedro Henry, o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes, o “Dóia”, o ex-chefe de gabinete do Poder Executivo da gestão Silval, Sílvio Cézar Correia de Araújo

De acordo com o MPE, os fatos vieram à tona a partir de colaborações premiadas com o ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Teodoro Moreira Lopes, vulgo “Doia”, indicação do deputado estadual Mauro Savi e com os sócios proprietários da empresa FDL, atualmente EIG Mercados.

O esquema girou em torno da contratação da empresa responsável pela execução das atividades de registros junto ao Detran dos contratos de financiamentos de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil e de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor. Na ocasião, para obter êxito na contratação, a empresa se comprometeu a repassar parte dos valores recebidos com os contratos para pagamento de campanhas eleitorais.

De início, Silval Barbosa e o deputado Mauro Savi teriam recebido, cada um deles, R$ 750 mil. Com a continuidade das fraudes, mais propinas foram repassadas e outras beneficiadas. Estima-se que foram pagos cerca de R$ 30 milhões em propinas. A denúncia aponta para três vertentes diversas de análises: movimentações bancárias entre os denunciados, entre denunciados com terceiros, apenas entre terceiros e entre os denunciados e servidores da Assembleia Legislativa. Todas as transações foram comprovadas na denúncia.

A organização, conforme o MPE, era composta por três núcleos: Liderança (Mauro Savi, José Eduardo Botelho, Silval da Cunha Barbosa, Pedro Henry, Teodoro Moreira Lopes e Paulo Cesar Zamar Taques, cada um em épocas diferentes), além de agentes “operacionais” e “subalternos”, segundo o órgão.

Na denúncia, os promotores de Justiça informam ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ-MT) que inquéritos complementares já foram instaurados para apurar o envolvimento de outras pessoas e de outros fatos criminosos.

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