AO GAECO, PROCURADORA REVELA QUE CEDEU CONTA PARA MARIDO FAZER OPERAçõES EM MT
07.06.2018

O ex-sócio da Santos Treinamento, empresa acusada de lavar dinheiro a partir de um contrato com o Detran de Mato Grosso, Marcelo da Costa e Silva, movimentou recursos que seriam utilizados supostamente para pagamento de propina na conta bancária de sua esposa, a procuradora do Estado, Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva. De acordo com investigações do Ministério Público Estadual (MPE-MT), a servidora teria sido beneficiária de R$ 752 mil entre os anos 2009 e 2015.

Marilci Malheiros confirmou que recebia valores em sua conta bancária, mas alegou que não tinha conhecimento que os recursos era de origem ilícita, justificando que seu marido possuía seu nome inscrito em orgãos de proteção ao crédito. “Quero deixar consignado que Marcelo, durante o período investigado, tinha algumas restrições em seu nome. Marcelo dizia que possuía dívidas e que, por não possuir crédito nos bancos, acabou utilizando minha conta bancária. Não tenho conhecimento que os valores recebidos tinham origem ilícita”, disse Marilci em depoimento realizado em abril ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), coordenado pelo MPE-MT.

A denúncia narra que Marilci teria colaborado para lavagem de dinheiro da Santos Treinamento, que é ao lado da EIG Mercados, empresa que efetivamente mantém o contrato com o Detran de Mato Grosso, que beneficiou o ex-deputado federal Pedro Henry. A primeira delas, em dezembro de 2010, relata que o operador financeiro, Francisco Ferres (Chico Badotti) e sua irmã, Silvana Ferres, proprietária da Invest Fomento Mercantil Ltda, descontaram um cheque de R$ 13 mil da conta bancária da organização emitido pela procuradora.

Segundo o MPE-MT, a transferência teve o objetivo de “ocultar a origem e a propriedade de tal valor”, que teria como destinatário Pedro Henry. A denúncia também descreve que, a pedido do marido, Marilci Malheiros realizou uma transferência bancária de R$ 10 mil em favor da Jornal Resumo On-line Ltda-ME, do empresário Roberto Abrão Junior, que teria repassado os recursos para sua sócia e esposa do ex-deputado federal, Ivanilda Henry, “a fim de ocultar o verdadeiro proprietário e destinatário do dinheiro, Pedro Henry Neto”.

Já em novembro de 2014, o MPE-MT relata um desconto feito por Rafael Badotti, em sua conta bancária, de um cheque emitido pela procuradora do Estado também a pedido do marido, no valor de R$ 22.110,00 mil. “No mesmo sentido, na data de 04 de novembro de 2014, consciente da origem do dinheiro, Rafael Badotti descontou em sua conta bancária um cheque emitido por Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva, a pedido de Marcelo da Costa e Silva, seu esposo, no valor de R$ 22.110,00 para o fim de ocultar a origem e a propriedade de tal valor”, diz outro trecho da denúncia.

Além da emissão de cheques, Marilci Malheiros recebeu R$ 25 mil da EIG Mercados em 2009; foi beneficiária em 2013 de um cheque de R$ 10 mil emitido pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), e também ex-sócio da Santos Treinamento, Eduardo Botelho (DEM), e recebeu uma transferência de R$ 20 mil de Roberto Abrão, pai do sócio da esposa de Pedro Henry, no ano de 2015. A denúncia também revela que a procuradora do Estado recebeu ainda R$ 556,2 mil de seu cunhado, Antônio da Costa e Silva, R$ 60,1 mil de outro cunhado, Igor da Costa e Silva, além de R$ 100,9 mil de seu próprio marido.

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