EM GRAMPO TELEFôNICO, PUBLICITáRIO CITA éTICA E AVISA COBRANçA DE JUíZA EM MT
02.10.2018

A candidata ao Senado, juíza aposentada Selma Arruda (PSL), aparece em uma gravação de uma ligação telefônica cobrando explicações do ex-coordenador de marketing da sua campanha, o publicitário Luiz Gonzaga Rodrigues Júnior – conhecido como Júnior Brasa - sobre matéria divulgada na mídia de uma reunião na sede da Gênius Publicidade, entre ele, o empresário Alan Malouf  e o jornalista Mauro Camargo. A candidata insinua que o encontro foi para articular denúncia de “caixa dois”, e assim tentar tirá-la do páreo na disputa para o cargo no Congresso Nacional. “Me diz uma coisa. Que história é essa que saiu no site que estou vendo aqui de reunião sua com Alan Malouf, que ‘caraio’ que é este? E como é que é o nome do homem? Mauro não sei das quantas”, questiona a candidata. 

O empresário Alan Malouf foi condenado pela juíza no caso por crimes de corrupção investigados na “Operação Rêmora” e o jornalista Mauro Carvalho seria responsável pelo marketing da campanha eleitoral do adversário de Selma, o candidato Nilson Leitão. A denúncia contra a candidata sobre “caixa dois” foi formulada pelo candidato ao Senado, Sebastião Carlos de Carvalho (Rede), que pediu a cassação do registro de candidatura dela, por gastos com publicidade da ordem R$ 700 mil em período proibido pela legislação eleitoral.

Os gastos seriam com a empresa de “Junior Brasa”, que recebeu cheques no montante do valor denunciado no mês de abril. Todo cenário foi exposto após Selma não quitar o contrato que teria realizado com a empresa e dispensado os trabalhos da agência do publicitário. Em ação que tramita na 10º Vara Cível de Cuiabá, ele cobra R$ 467 mil e ainda 40% da multa pela rescisão contratural.

A gravação da conversa entre a juíza e o publicitário teria ocorrido no último dia 27, e circula nas redes sociais desde o final de semana. Brasa informou para juíza que não recebeu o empresário para nenhuma reunião, mas confirmou a conversa com Camargo.

Ele, porém, garante que não falou sobre ela, mas sim assuntos pertinentes pós-campanha. O publicitário comenta para a candidata que se pauta na ética e que as únicas campanhas que trabalha nas eleições de 2018 é do candidato a deputado estadual Wilson Santos (PSDB) e da candidata a deputada federal,  Serys Slhessarenko (PRB). “O Mauro Camargo esteve aqui hoje de manhã, mas não tem nada a ver Selma, não tem nada com o que está acontecendo. Eles me procuraram depois da eleição queriam levar o meu digital pra lá. Melhores propostas, não fui pra lá, não me meti nisso, porque eu acho que iria ter um problema ético. As campanhas que estou fazendo aqui são do Wilson Santos e da Serys e mais nada”, diz. 

Em seguida, Brasa garante que Selma não precisa se preocupar, pois não visa jogo político. Ele, porém, afirma que se não houver acerto financeiro com ela, deve buscar a justiça. “Não se preocupe. Você não tem que se preocupar com isso, eu estou aguardando para a gente acertar e resolver o assunto, e vão ter toda segurança e ética da minha parte. Mas, é obvio que se a gente não se acertar, ai vai ter um processo, mas não é em função da eleição que estou fazendo isso, mas em questão de ter que pagar meu povo e ter que honrar com as minhas coisas”.

Durante a ligação, a juíza fala para o publicitário que seu coordenador de campanha Kleber Lima lhe disse que Camargo alertou que os interessados em frustrar sua campanha estavam aguardando apenas a ação na Justiça para realizar denúncia de caixa dois. “Este Mauro Camargo falou para o Kleber, porque o Kleber me contou que ele esteve ai, e eles estão só esperando você entrar com ação pra colocar coisa, enfim”, comenta ela.  

Brasa confirma que tem um movimento para que entre com a ação, mas que ainda não havia entrado. Porém, disse já ter procurado o advogado José Rosa, o mesmo que representa a coligação “Segue em Frente Mato Grosso”. “Tem uma ansiedade no mercado com relação a isso, de fato, só que eu não tenho nada a ver com isso. Existe um movimento, uma vibração para eu entrar com essa ação, se eu tivesse me envolvendo com este tipo de coisa eu já tinha entrado Selma. Não fui atrás de nada disso, segurei minha onda aqui , tive toda paciência. Falei com você, falei diversas vezes, até esgotar com Elson. Ele falou, olha não tem conversa, eu disse está bom, aí que eu fui no Zé Rosa”. 

OUTRO LADO

Por meio de nota, a defesa do empresário Alan Malouf negou qualquer tipo de encontro com envolvidos na campanha eleitoral para "tramar" alguma demanda judicial contra Selma Arruda. Ele lembra que o próprio Tribunal Regional Eleitoral determinou a retirada de notícias que o colocam neste caso e critica a postura de juíza.

"Alan Malouf ainda lamenta a postura adota pela referida candidata, que ao invés de justificar os fatos e as provas apresentadas na referida demanda judicial, busca atacar terceiros totalmente alheios a sua campanha, lançando inverdades e ilações baixas e levianas que vindo de uma ex-magistrada, causa espécie a toda sociedade", diz a nota.

Veja a íntegra:

Acerca das declarações da Selma Arruda, candidata ao Senado, a defesa de Alan Malouf esclarece que:

1 - Refuta veementemente as alegações de que Alan teria se encontrado com terceiras pessoas para “tramar” a propositura da ação judicial em seu desfavor. Aliás, esse fato já foi rechaçado pelo próprio TRE/MT que determinou a retirada destas “fake news” dos veículos de imprensa que “espalharam” tamanha inverdade;

2 - Alan Malouf ainda lamenta a postura adota pela referida candidata, que ao invés de justificar os fatos e as provas apresentadas na referida demanda judicial, busca atacar terceiros totalmente alheios a sua campanha, lançando inverdades e ilações baixas e levianas que vindo de uma ex-magistrada, causa espécie a toda sociedade;

3 - Alan Malouf reitera sua confiança na Justiça, estando à disposição de toda e qualquer autoridade investigativa para colaborar com qualquer investigação.

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