TAQUES VISITA EMPRESáRIO ANTES DE OPERAçãO
10.12.2018

Um vídeo anexado à delação do empresário Alan Malouf mostra o governador Pedro Taques (PSDB) chegando àquela que seria a residência do empresário Juliano Bortoloto, um dos supostos doadores de valores contabilizados em caixa 2 para a campanha do tucano em 2014. As imagens mostram Taques, de camisa vermelha, entrando pela garagem do edifício. Era o dia 11 de dezembro de 2016, três dias antes da prisão de Malouf pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).  

O vídeo ao qual a reportagem de A Gazeta teve acesso, segundo o delator, comprova a reunião que o governador teve com Bortoloto e o também empresário Erivelton Gasques. O primeiro é proprietário da Todimo. O segundo, dono da antiga City Lar. Ambos faziam parte, segundo Malouf, do grupo de “simpatizantes” da campanha de Taques em 2014 e que ajudaram a financiar a empreitada eleitoral. A pauta do encontro entre os três seria tentar garantir que o grupo permaneceria unido, já que os rumores sobre um pedido de prisão contra Malouf já eram fortes na época.  Um dia antes, 10 de dezembro de 2016, os dois empresários haviam estado com Alan Malouf, na sede da construtora São Benedito. Na ocasião, Malouf disse que, se fosse mesmo preso, não guardaria nenhuma informação. A revolta teria como motivo uma suposta promessa descumprida do governador Pedro Taques e do então secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, de “resolver” o problema das investigações da Operação Rêmora, que estavam avançadas desde maio daquele ano.   

Em sua delação, Malouf afirma que os dois empresários chegaram a pedir para que ele não envolvesse Taques no caso, na hipótese de decidir entregar os esquemas aos investigadores. “No dia seguinte, o peticionante começou a ouvir uma conversa de que os Srs. Erivelton e Juliano não estariam mais com ele e que teriam mudado de lado, sendo ‘cooptados’ pelo governador”, diz trecho do depoimento homologado pelo ministro do STF, Marco Aurélio de Melo.  

Alan Malouf afirma que a reunião entre o governador e os empresários teve objetivo de combinar possíveis depoimentos para isolá-lo. Em troca, Taques também teria oferecido “proteção” a Bortoloto e Gasques. O suposto acordo teria sido para que os empresários falassem que o dinheiro de caixa 2 foi captados por Malouf para benefício próprio e que o nome de Taques foi usado indevidamente.  

Os vídeos anexados à delação também mostram os empresários e Taques deixando o apartamento após a suposta reunião. A defesa de Malouf sustenta que, além das imagens, registros da movimentação e localização feitos nos celulares dos acusados podem confirmar essa versão da história. Alan Malouf foi preso no dia 14 de dezembro de 2016, durante a operação Grão-Vizir, 3ª fase da Rêmora, que desarticulou um esquema de direcionamento de licitações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em troca de propina, dinheiro supostamente usado para quitar dívidas não declaradas da campanha.  

Malouf confessou sua participação no esquema e afirmou que os principais beneficiados foram o governador Pedro Taques e o deputado federal Nilson Leitão (PSDB). Os dois negam as acusações. Pedro Taques sustenta que jamais beneficiou o empresário durante seu mandato. Já Nilson Leitão afirma que, ao longo de sua vida pública, nunca solicitou recursos ilícitos ou pediu para que alguém o fizesse em seu nome.

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