FALTA DE MéDICO CAUSA MORTES EM UTI NO PS DE CUIABá
26.05.2014

Médico que pediu para não ser identificado faz denúncia ao Fantástico

Um médico do Pronto Socorro de Cuiabá denunciou, no programa Fantástico, da Rede Globo, deste domingo (25), que pacientes morrem na UTI por falta de tratamento adequado.

Segundo o programa, o médico, que preferiu não se identificar, faz uma revelação assustadora: a UTI do maior hospital de Cuiabá chega a funcionar sem médicos.

“São vários plantões em que não há medico na UTI. É como estar num avião sem piloto”, disse.

"Não foram nem um nem dois casos de pacientes que poderiam ter saídos vivos das UTIs do pronto-socorro e não saíram. Saíram mortos. Porque eles não tiveram o cuidado adequado. Isso acontece frequentemente"


O Fantástico relatou que a Prefeitura de Cuiabá negou a acusação. "Mas o repórter Eduardo Faustini teve acesso a oito comunicados internos, dos últimos três meses, avisando a direção do hospital sobre períodos em que a UTI ficou sem médico algum."

“Não foram nem um nem dois casos de pacientes que poderiam ter saídos vivos das UTIs do pronto-socorro e não saíram. Saíram mortos. Porque eles não tiveram o cuidado adequado. Isso acontece frequentemente”, afirmou o médico ao Fantástico.

Em rede nacional, ele disse que "recebe orientações do hospital para mentir sobre a hora da morte do paciente".

“A família vai chegar na hora da visita, o senhor diz que morreu um pouquinho mais tarde pra família não desconfiar que morreu num plantão sem médico. Eu não mudo o horário do óbito porque isso ultrapassaria a minha capacidade de ser conivente com essa situação dentro do pronto-socorro”, confessou o médico.

ASSISTA A REPORTAGEM COMPLETA DO FANTÁSTICO AQUI


Liminares

O programa relatou o drama da Dona Alaíde, de 62 anos. "Ela tinha no cérebro dois aneurismas - que é quando um vaso sanguíneo incha muito. Ele pode estourar e provocar uma hemorragia. Um deles já tinha se rompido e ela quase não conseguia falar."

Médico denuncia que horários de mortes são alterados


O repórter Eduardo Faustini acompanhou a luta de Dona Alaíde em busca de tratamento.

"O caso é muito grave. No relatório médico, do dia 22 de abril, o médico alerta para o risco de morte. Duas semanas depois, repete o aviso, desta vez em letras garrafais. Dona Alaíde pode morrer. A esperança é uma cirurgia."

A filha conseguiu na Justiça uma decisão liminar que obriga o hospital a realizar o tratamento.

“Entramos com a liminar, no centro de regulação já foi liberado, mas no Hospital Geral, o Estado não está pagando, então é uma situação muito difícil”, disse a filha Elaine.

Esta é uma situação comum em Cuiabá e em vários outros pontos do Brasil. Muitos pacientes só conseguem tratamentos por força de liminares, mas nem todos. Mesmo com uma decisão judicial na mão, essa mulher não conseguiu uma cirurgia para a mãe, que está com uma veia entupida na perna.

Paciente consegue liminar, mas hospital não faz cirurgia


"Lembra de Dona Alaíde, que mostramos no início desta reportagem? Ela tinha conseguido uma liminar para ser operada, mas o hospital não fez a cirurgia. Na última quarta-feira, o outro aneurisma que tinha no cérebro se rompeu. E ela morreu no dia seguinte. No velório, a tristeza da filha, que lutou durante 40 dias para salvar a vida da mãe".

"Em nota, a Secretaria de Saúde de Cuiabá diz que a paciente fez o exame de angiografia exigido pela Justiça. Quanto à operação, também exigida pela Justiça, a secretaria diz que ela já estava agendada"


"Em nota, a Secretaria de Saúde de Cuiabá diz que a paciente fez o exame de angiografia exigido pela Justiça. Quanto à operação, também exigida pela Justiça, a secretaria diz que ela já estava agendada, mas que, antes disso, infelizmente, Dona Alaíde veio a falecer. A secretaria não informa, no entanto, qua

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