EX-SECRETáRIO QUEIMOU DOCUMENTOS EM CHURRASQUEIRA E FUGIU 5 MINUTOS ANTES DA CHEGADA DA POLíCIA
20.12.2018

O último alvo envolvido na operação Sangria 2, o ex-secretário adjunto do município, Flávio Alexandre Taques da Silva, está foragido desde a última terça-feira (18). O sistema de videomonitoramento flagrou o momento que ele foge do condomínio Residencial Mariana, em Cuiabá, com a ajuda de uma servidora contratada da Prefeitura de Cuiabá, cinco minutos antes da chegada dos policiais da Delegacia Fazendária (Defaz). No apartamento do alvo, documentos queimados foram apreendidos. (Veja fotos e vídeos ao final da matéria)

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De acordo com a Polícia Civil, durante a operação, os policiais estiveram em um endereço dele em Várzea Grande, para cumprir o mandado de prisão, mas no local foram informados pela ex-mulher do suspeito que ele estava em outro endereço.  
 
No local indicado pela ex-mulher, os policiais chegaram às 7h20 e ele havia saído às 7h15. Pelas imagens do circuito de câmeras do condomínio, os policiais observaram que um veículo Prisma branco entrou pela garagem do prédio e o ex-secretário  entrou no carro. Ambos fugiram.  

Conforme adiantou o Olhar Direto, a dona do carro é uma servidora contratada da Prefeitura de Cuiabá, identificada como Luciana Franco Marcelo Carvalho. Ela respondeu um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), por favorecimento pessoal.

No apartamento, dentro da churrasqueira, os policiais também encontraram diversos documentos queimados, provavelmente, uma tentativa de eliminar provas. Alguns papeis mesmo queimados foram recolhidos para análise.
 
Flávio Taques continua a ser procurado pela polícia e é considerado foragido. A defesa dele informou que deve apresentar o cliente, o que ainda não aconteceu.  
 
Logo depois da deflagração da operação, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) exonerou Flávio Taques do cargo de secretário- adjunto de Gestão de Saúde: “Tão logo tomei conhecimento de que havia sido expedido mandado de prisão em relação ao secretário-adjunto de Saúde, Flavio Taques, não me restou outra alternativa senão exonerá-lo do cargo”, afirmou.
 
Pinheiro reiterou que quando soube da operação, na manhã de hoje, determinou que a Secretaria Municipal de Saúde, a Procuradoria-geral do Município e a direção da Empresa Cuiabana de Saúde dessem todo o apoio necessário às investigações.
 
“O maior interessado em ajudar a elucidar essas denúncias é a Prefeitura de Cuiabá, é o prefeito pessoalmente, e a Prefeitura de Cuiabá. Então é necessário que se dê todo o apoio para que isso seja elucidado”, afirmou.
 
Flávio Taques é formado em Gestão Pública e Contabilidade pela Universidade de Cuiabá (Unic). Já esteve à frente da Superintendência de Financeiro da Companhia Matogrossense de Gás (MT Gás) e da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio, assim como em várias coordenadorias de órgãos Governo do Estado.  Em 2012, assumiu a presidência do Mato Grosso Saúde (MT Saúde), onde permaneceu até 2015.
 
Antes de assumir como secretário-adjunto de Gestão de Saúde, Taques estava na Diretoria Especial de Licitações e Contratados do Município.
 
No total, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e quatro buscas e apreensão. Foram alvos de mandado de prisão o ex-secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correia; Fábio Liberali Weissheimer (médico); Adriano Luiz Sousa (empresário); Kedna Iracema Fonteneli Servo; Luciano Correa Ribeiro (médico); Flávio Alexandre Taques da Silva Fábio Alex Taques Figueiredo e Celita Natalina Liberali.
 
O delegado Lindomar Aparecido Tofoli, explicou que no transcorrer das investigações do inquérito principal (119/2018), ficou constatado que o grupo criminoso teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ameaças feitas a testemunhas.
 
A investigação da operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos/administrador de empresa, funcionários públicos e outros, tendo como objeto lesão ao erário público, vinculados a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.
 
Segundo a apuração, a organização mantém influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final apenas empresas pertencente a eles (Proclin/Qualycare) possam atuar livremente no mercado, “fazendo o que bem entender, sem serem incomodados, em total prejuízo a população mais carente que depende da saúde pública para sobreviver”.
 
A investigação demonstra que a organização criminosa, chefiada por médicos, estão deteriorando a saúde pública de Cuiabá e do Estado de Mato Grosso. Levantamento feito pela Central de Regulação de Cuiabá, em 2017, aponta que 1.046 pessoas aguardavam por uma cirurgia cardíaca de urgência e outras 390 por um procedimento cardíaco eletivo.
 
“Pedimos apoio da população para transformar essa calamidade que a saúde pública de Mato Grosso. Aquelas pessoas que foram prejudicadas, tiveram parentes que morreram por falta de atendimento nos hospitais, que denunciem para que possam ser punidas com rigor essas pessoas que desprezam o valor da vida humana”, orientou o delegado.
 
A operação, oriunda de investigação da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), é desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, ocorridos no dia 4 de dezembro, para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações, firmados com o município de Cuiabá e o Estado.
 
Nome da Operação
 
O nome da operação “Sangria” é alusivo a uma modalidade de tratamento médico que estabelece a retirada de sangue do paciente como tratamento de doenças, que pode ser de diversas maneiras, incluindo o corte de extremidades, o uso de sanguessugas ou a flebotomia.

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