SESSãO é ADIADA; SERVIDORES DORMEM NA AL E SINALIZAM GREVE
23.01.2019

Após um dia de protestos dos servidores públicos, com direito a ocupação do plenário da Assembleia Legislativa, o presidente da Casa, deputado Eduardo Botelho (DEM), decidiu adiar a sessão ordinária desta terça-feira (22).

 

A pauta previa a votação de projetos elaborados pelo governador Mauro Mendes (DEM) – entre eles o que estipula critérios para pagamento da RGA. Parte das medidas é alvo de críticas do funcionalismo público.

 

A decisão em adiar a sessão foi anunciada pelos deputados Valdir Barranco (PT) e Janaina Riva (MDB), por volta das 20 horas, após uma nova rodada de conversa com membros do Fórum Sindical – entidade que representa o funcionalismo público.

 

Apesar do adiamento e da decisão de reintegração de posse que os obriga a deixar o plenário, os servidores decidiram dormir na Casa. Eles também farão assembleias para deliberar sobre a possibilidade de greve. 

 

Ao longo do dia Botelho e demais parlamentares se dividiram entre reuniões com sindicalistas e membros do Governo, como o secretário chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho.

Nosso papel era tentar uma acordo que, infelizmente, não foi possível, uma vez que o Governo não tem interesse em fazê-lo

 

Da parte dos servidores, o pedido era para que mensagens que tratam da RGA, do MT Prev e da criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Estadual fossem retiradas de pauta, de modo a permitir um maior debate em torno dos textos.

 

Do lado do Governo, a alegação de que o adiamento das votações - em especial a que cria o novo Fethab - seria prejudicial ao Estado, podendo acarretar, por exemplo, em danos financeiros aos cofres do Estado.

 

 

De acordo com a deputada Janaina, após reunião do Colégio de Líderes, permaneceu a decisão de que as mensagens do Governo serão votadas da forma como estão, sem modificações.

 

 

“Nosso papel era tentar uma acordo que, infelizmente, não foi possível, uma vez que o Governo não tem interesse em fazê-lo. Estávamos em sete votos, o restante optou por votar as mensagens da forma que estão”.

 

"Reintegração"

 

No final da tarde, a procuradoria do Legislativo conseguiu uma liminar na Justiça, garantindo a reintegração de posse do plenário da Casa

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Servidores na AL

Ao longo do dia, servidores ocuparam plenário da Assembleia Legislativa

A decisão foi assinada pelo juiz Paulo Marcio Soares de Carvalho, da Vara da Fazenda Pública, que fixou multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

 

"Ora, em que pese a possível relevância das reivindicações dos servidores públicos, nada justifica que se tolere a violência da ocupação de um prédio público, fato este que em nada contribui para a solução dos problemas dos ocupantes que, evidentemente, têm todo o direito de protestarem, não dessa forma, invadindo a Assembleia Legislativa", disse o magistrado, em trecho da decisão.

A deputada Janaina Riva afirmou que, mesmo com a decisão, Botelho optou por dar liberdade para que os servidores deixem o plenário da Casa quando acharem por bem.

 

“O presidente assegurou pra nós que não vai fazer cumprir essa reintegração de posse. Ele dará o direito de os servidores se manifestarem, permanecerem na Casa de forma pacífica, sem violência, sem abordagem e sem iniciativa para tirá-los daqui.”

Até em função disso, ainda não há uma definição do local em que a sessão da próxima quarta-feira (23) será realizada, tampouco o horário.

 

Indicativo de greve

 

 

Faremos um ato público para demonstrar nossa insatisfação com o estelionato eleitoral promovido pelo governador Mauro Mendes

Diante da decisão em manter os projetos em pauta, os servidores anunciaram que irão pernoitar no prédio do Legislativo.

 

“Os deputados que não foram reeleitos pelo povo insistem em votar contra o povo. Não aceitam acordo, querem votar ‘a toque de caixa’ o projeto que o Governo apresentou. E mais: vão votar mesmo que seja em outro espaço que não este aqui. O Governo continua insensível e incapaz de uma conversa com os servidores públicos”, disse a sindicalista Edna Sampaio.

 

“Diante dessa situação, resolvemos continuar ocupando esse plenário. Vamos ficar e resistir”.

 

Ela afirmou ainda que, a partir de agora, cada sindicato deve convocar suas categorias para assembleias individuais que poderão resultar em um novo movimento grevistas.

 

 “Agora, cada sindicato vai chamar assembleias permanentes para poder deliberar sobre a greve. Não vamos fazer assembleia unificada neste primeiro momento”, disse a sindicalista.

 

“Depois, vamos marcar um ato público na Capital, com servidores do interior também, para demonstrar nossa insatisfação com o estelionato eleitoral promovido pelo governador Mauro Mendes, que prometeu na campanha que não atacaria os servidores públicos. E ele só tem feito isso nos poucos dias de seu Governo”, acrescentou.

COMENTÁRIOS

*** **  ***


VÍDEOS

      
BUSCA:
© Copyright 2014 A Notícias - Política de Privacidade