PARA ESPECIALISTAS ESCOLHA DE LíDER DO GOVERNO BOLSONARO é UM RISCO
15.01.2019

Após a nomeação do deputado federal eleito major Vitor Hugo (PSL-GO) para liderar o governo na Câmara dos Deputados, o Estado ouviu dois cientistas políticos para entender quais as possíveis consequências políticas do parlamentar.

Mestre em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército e bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, Vitor Hugo estava na Consultoria Legislativa da Câmara, na área de segurança pública e defesa nacional. Ele foi aluno dos generais – e atuais ministros – Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo), na escola de cadetes.

Eleito para seu primeiro mandato na Casa com 31.190 votos, o parlamentar afirmou ao Estadão/Broadcast que deseja estabelecer uma nova relação entre o Legislativo e o Executivo e pretende envolver os parlamentares na elaboração das propostas do governo, antes mesmo que sejam encaminhadas ao Congresso. “Vamos envolver o máximo de pessoas durante a elaboração das propostas para que já se considere o componente político na elaboração das propostas”, afirmou.

Sobre o fim do chamado “toma lá, dá cá“, o deputado eleito afirma que o desafio é do Brasil inteiro. “Como é o país inteiro que tem ânsia por isso, a gente imagina que, embora seja desafiador, existe uma pré-disposição de todos, inclusive dos parlamentares”, disse ele, que vai liderar uma bancada de 52 deputados, a segunda maior da Câmara, atrás apenas do PT, com 56.

Ao BR18, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara, afirmou que considera o deputado uma “pessoa preparada”. Confira abaixo a avaliação de dois cientistas políticos sobre o assunto. Primeiro, as respostas de Roberto Romano, filósofo e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e, depois, de Humberto Dantas, doutor em ciência política e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas e da Uninove.

O que significa a nomeação de um deputado federal que não tem experiência prévia na Casa?Roberto Romano: É um erro frequentemente cometido por governantes e partidos com inclinação autoritária. Um exemplo à esquerda é a ex-presidente Dilma Rousseff, que nomeou como chefe da Casa Civil pessoas que não tinham habilidade no trato com seus pares no Congresso Nacional. Isso ajudou a piorar a sua situação. Em relação a essa indicação, é preciso lembrar que o Congresso Nacional não é como as Forças Armadas, não funciona na base de ordens dadas e recebidas.

Humberto Dantas: Me parece um risco que o governo Bolsonaro corre sob o discurso de uma nova forma de tratar o Congresso. A falta de habilidade do líder do governo é algo sensível. Por outro lado, um líder inexperiente pode representar o fortalecimento de outros agentes, como o próprio presidente da Câmara, que provavelmente será Rodrigo Maia, que tenta a reeleição. Bolsonaro e Maia andaram se aproximando nos últimos dias, o PSL anunciou apoio a ele. Então, pode fortalecer a figura do articulador do governo.

COMENTÁRIOS

*** **  ***


VÍDEOS

      
BUSCA:
© Copyright 2014 A Notícias - Política de Privacidade