DERROTADOS SE DESPEDEM NA AL; DEPUTADO LEMBRA "TRAIçãO" DE APOIADORES
30.01.2019

Chegou a hora do segundo dilúvio, mas desta vez as águas não estão subindo pela ira de Deus contra a humanidade, mas pelas lágrimas dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa. Acontece que, nesta terça-feira, foi realizada a última sessão da 18ª legislatura, que se encerra na próxima sexta-feira (1º de fevereiro), quando os novos deputados assumem seus postos na Casa de Leis de Mato Grosso.

Na sessão, foi aprovada em 3 votações o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2019. O projeto prevê um déficit de R$ 1,7 bilhão no Orçamento deste ano, que prevê receita de mais de R$ 19 bilhões.

Porém, o que chamou a atenção foram os discursos dos deputados que não retornarão ao parlamento a partir do próximo mês. Ao todo, são 14 parlamentares que não se reelegeram ou não disputaram um novo mandato nas eleições de outubro.

Desde o início da sessão, o presidente da Casa, Eduardo Botelho (DEM), abriu espaço para a "choradeira" dos deputados que não voltarão à Casa.

Sendo este grupo formado pelos derrotados nas urnas, os desistentes da vida política e aquele que vai para a Câmara Federal, Leonardo Albuquerque (PSD). E é neste clima de despedidas que os deputados mostraram suas lamúrias, ricas numa mistura de tristeza, superação e uma quase síndrome de Narciso.

José Domingos Fraga (PSD), que preferiu não disputar as eleições após ser filmado guardando maços de dinheiro no gabinete do ex-governador Silval Barbosa, afirmou que não seria a mesma pessoa se não tivesse convivido com os colegas parlamentares. "Tive uma origem humilde, pobre, mas não podem falar que somos desonestos", disse.

Logo após a fala de Domingos, prevendo que o comportamento seria repetido pelos demais parlamentares, Eduardo Botelho tomou a palavra e convidou todos aqueles que se despediam da Casa para fazer seus pronunciamentos. “Aqueles deputados que quiserem usar a tribuna hoje, que quiser fazer alguma despedida, provavelmente nós vamos fazer duas sessões e hoje é o encerramento da legislatura. Então cada um aí que quiser usar 6 minutos, 10 minutos, pode usar", explicou. Então, o deputado Wagner Ramos (PSD), pode dar 10 minutos pro deputado pra ele fazer as considerações finais dele”, falou Botelho em meio a risos.

Ao chegar à tribuna, Wagner Ramos relembrou seu histórico político, resgatando desde que assumiu pela primeira vez o mandato de deputado estadual na condição de suplente. E, claro, teceu elogios a si mesmo e à sua história, ressaltando momentos em que enfrentou grandes dificuldades para levar melhorias ao povo. “Como é que ganha uma eleição? Se teve pessoas que ficaram 15, 20, 30 dias na minha casa, no meu apartamento, e a gente ajudando e, depois, no Facebook tinha foto de outro candidato. Então, a gente sabia que, quando isso aconteceu, não era pra gente ganhar mesmo. Porque as pessoas queriam, realmente, esta mudança. E, a partir da daí, nós conseguimos ter a tranquilidade de administrar essa situação”, lamentou.

Outro que falou a tribuna foi Pedro Satélite (PSD). Ao lembrar que está no parlamento desde a década de 90, citou algumas ações e analteceu o fato de não responder nenhuma ação por corrupção. "Faço o desafio e até pago quem trouxer um processo a que respondo por alguma ilegalidade na vida pública", assinalou.

Já o deputado Adalto de Freitas (Patriota) citou suas conquistas, dando ênfase à pavimentação da BR-158 que, segundo ele, levou desenvolvimento a região Araguaia. “Eu não tinha dúvida da viabilidade do Vale do Araguaia e, pra mim, era uma indignação ver a minha região, a mais próxima do Planalto Central, que é Brasília, desse gigante que é Mato Grosso, ser rotulada como uma região esquecida. E, logicamente, nós tivemos uma atuação muito firme e possibilitamos colocar em discussão e este Parlamento, assim, abraçou a questão da BR-158 e, praticamente, 300 quilômetros foram pavimentados durante o período em que eu estive aqui, em todos os momentos, em alto e bom som, chamando a atenção para a importância daquela via de escoamento”, se promoveu.

Oscar Bezerra (PSB), por sua vez, "ergueu uma estátua" para si mesmo, pontuando que será difícil algum outro deputado chegar perto do que ele conseguiu fazer pela cidade de Juara. “Assim como reconheço cada um dos senhores que trabalharam por suas regiões, suas cidades de origem e eu saio, como eu disse, com o dever cumprido de que muitos que virão representar a minha região, a minha cidade, poderá chegar a, muitas vezes, próximo ao que nós conseguimos fazer para aquela região e meu trabalho foi incansável e o resultado brilhante”, elogiou a si mesmo.

Já o deputado Mauro Savi (DEM) se destacou por ser o único a rechaçar qualquer possibilidade de retornar à vida pública. “Eu saio deste Parlamento muito feliz, de cabeça erguida e, com certeza, não é “até breve” não, é “tchau” mesmo! Vou cuidar das minhas coisas. Saio um pouco ressentido com algumas questões, mas com cabeça erguida para encará-las. Hoje meu processo lá [Operação Bereré] começou a andar, o MPE [Ministério Público do Estado] mandou material aí pra imprensa. Então, é triste isso, mas não tem problema. Estamos aí pra enfrentar!”, discursou.

Mauro Savi foi notícia nesta tarde de sexta-feira após o MPE pedir novamente sua prisão, junto com outros 5 denunciados, para que as investigações da Operação Bereré, que investiga o desvio de R$ 30 milhões no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), não sejam atrapalhadas. Savi está sob a mira das investigações como possível líder do esquema.

Em cada discurso, o deputado Wilson Santos (PSDB) tecia comentários, complementando as despedidas. Savi foi o único parlamentar a afirmar que não volta à vida pública. Todos os outros cogitaram a possibilidade de voltar a ingressar na Casa algum dia.

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