Os números da violência doméstica em Mato Grosso assustam. Segundo levantamento do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres, realizado em oito, dos 141 municípios mato-grossenses, no período de três anos (2006 a 2009) 78.168 mulheres foram fisicamente agredidas. Em 2009, somente na Grande Cuiabá, houve 24 assassinatos femininos, sendo que 90% dos crimes foram passionais.
A pesquisa se baseia em dados oficiais, mas os números da violência podem ser no mínimo duas vezes maiores, se considerado (principalmente nas cidades do interior), a subnotificação e a falta de registros por parte das vítimas, decorrentes da ausência de delegacias especializadas e de estrutura humana para acolher essas mulheres.
Em posse dessas informações, o deputado estadual Dilceu Dal’Bosco (DEM) solicitou ao governador Blairo Maggi e ao secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado Filho, a necessidade de implantação de uma Delegacia de Defesa da Mulher, no município de Sinop (500 km ao norte da capital).
Na avaliação do democrata, o atendimento especializado também possibilitará a aplicação da Lei Maria da Penha, além de auxiliar no trabalho de prevenção, através de campanhas educativas permanentes e de inclusão social, coma realização de oficinas e cursos de capacitação, além de proporcionar a quantificação da violência nos municípios do nortão.
“A tarefa não é fácil, os dados são desanimadores, mas nem por isso devemos ser omissos. Sabemos do constrangimento das vítimas em denunciar seus parceiros, muitas vezes pai dos seus filhos. Mas precisamos que essas pessoas tenham auxílio especializado e acompanhamento, para que essas agressões não terminem em homicídio”, afirmou Dal`Bosco.
Em seu pedido, Dilceu cobrou urgência na implantação da delegacia especializada, alegando a densidade populacional do município (cerca de 150 mil habitantes) e a enorme distância com a capital.
“O levantamento aponta, que na maioria das vezes, as mulheres são vítimas de agressões dentro de casa, evidenciando a violência doméstica. Não podemos fechar os olhos para o problema e achar que ele só acontece nos grandes centros”, concluiu.