Entrar numa universidade é um ritual de transformação para muitos estudantes. A pessoa deixa o colégio para partir em busca do novo. Nos últimos tempos, o que se tem observado é que esse rito de passagem tem sem transformado em um cenário de guerra, preocupando pais e universitários devido ao alto grau de violência aplicada contra os calouros. Para reverter essa preocupação no estado de Mato Grosso, a Assembleia Legislativa aprovou, em segunda votação, um projeto de lei do deputado Wagner Ramos (PR), que proíbe a realização do trote estudantil aos alunos “calouros” de escolas superiores e universidades públicas no estado.
“Neste sentido, o projeto visa aumentar a responsabilidade das instituições de ensino quanto às brincadeiras de mau gosto, que deverão marcar dias diferentes para o início das aulas de veteranos e calouros e ainda aumentar a segurança dentro e fora de suas edificações”, destacou Ramos.
A ignorância e a bestialidade do ritual fez sua primeira vítima fatal no ano de 1831, com a morte de um estudante da Faculdade de Direito de Olinda. Os trotes, assim como os crimes e as mortes, continuaram por todo o século XX, como, por exemplo, em 1980, quando um calouro de um curso de jornalismo foi morto por traumatismo cranioencefálico, em Mogi das Cruzes; em 1990 morreu de parada cardíaca um calouro do curso de direito em Goiás; em 1999, um calouro de medicina da USP morreu afogado em uma piscina.
O parlamentar lembrou que na primeira semana de todos os anos, quando começa o calendário escolar e a grande volta às aulas é o período em que os pais dos alunos universitários ficam mais preocupados. “Uma grande ironia, já que no lugar de comemorar a vaga conquistada com sacrifício, os alunos vão parar em hospitais. Isso quando os familiares não têm de buscar pelos calouros nos necrotérios, vítimas do trote universitário”, destacou ele.
Em Cuiabá, os trotes também não fogem da realidade e, ultimamente, o índice de violência se excedeu. Para o vice-reitor e que atualmente responde pela reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco José Dutra Souto, a instituição tenta conter os excessos por meio de reuniões com os centros acadêmicos, diretores e coordenadores de cursos.
“Sempre há campanhas neste sentido, mas inibir totalmente a violência requer um trabalho á longo prazo. Sou a favor de trotes com colaborações para entidades filantrópicas”, explicou Souto.