24 de Junho de 2024

ENVIE SUA DENÚNCIA PARA REDAÇÃO

ESPORTE Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2023, 10:45 - A | A

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2023, 10h:45 - A | A

ALÉM DA EUROPA

Do elefante ao treino militar: como atacante ex-Palmeiras e Flamengo virou ídolo e "cidadão da Ásia"

Revelado pela Portuguesa e com passagens por gigantes do futebol brasileiro, Diogo, de 36 anos atua há nove no futebol asiático, coleciona histórias e deve encerrar carreira por lá

GE

Nascido em São Paulo, criado na Portuguesa e palmeirense desde criança, o brasileiro Diogo Luis Santo, de 36 anos, não imaginou que se tornaria um dos jogadores brasileiros mais longevos do futebol asiático: são nove anos no continente e uma coleção de histórias curiosas.

No Brasil, Diogo surgiu em 2007 em uma campanha de acesso da Lusa à Série A do Brasileirão. De lá rumou para a Grécia, no Olympiacos, e voltou ao Brasil para atuar por clubes como Palmeiras, Flamengo e Santos. Foi na Ásia, porém, onde encontrou sua casa desde 2015, passando por Tailândia e Malásia.

Quer ficar bem informado em tempo real? Entre no nosso grupo e receba todas as noticias (ACESSE AQUI).

Afinal, não é toda hora que se faz uma refeição ao lado de um filhote de elefante. Uma das primeiras experiências de Diogo no Buriram United, da Tailândia, foi ao lado do também brasileiro Gilberto Macena e, curiosamente, abriu-se, daí para frente, um leque de aventuras em uma nova cultura.

— Saímos para jantar, não sei o que ele tinha, acho que era rinite, espirrava toda hora. Quando a gente chegou no restaurante, ali no estacionamento, escutei um barulho e falei: "caramba, de novo espirrando?". Ele respondeu que não tinha sido ele. Quando olho para trás, era um filhote de elefante dentro do restaurante. Acho que eles fazem para tirar foto, algo assim. Só sei que eu morro de medo de bicho, cara — contou, em participação no quadro GE Pelo Mundo.

 

O choque de cultura não parou por aí. Diogo empilhou conquistas no Buriram, entre 2015 e 2018, como duas artilharias de campeonato e prêmios de melhor jogador e melhor estrangeiro. Mas, na memória, também tem fresco o treinamento militar ao qual foi submetido pelo clube.

— Lá, eles fazem um treino com o exército. Todos os jogadores devem participar. Um dos exercícios era entrar numa canoa cheia d'água e com um balde pegar sapo, cobra e colocar nele. Quem pegasse primeiro, ganhava. Eu ne me mexia, cara. Só dizia para mim mesmo que não faria aquilo. Estava bravo para caramba. O treinador disse: "pô, a esposa do dono quer você mais participativo". Eu retruquei puto da vida: "fala para ela que eu vim fazer gol, não vim ser Indiana Jones, não" — contou, hoje, aos risos.

 

Quatro vezes campeão tailandês, Diogo superou as adversidades e surpresas iniciais para colecionar marcas e ser idolatrado no país: foi o primeiro a ultrapassar a marca de 30 gols em uma mesma edição de campeonato nacional e tornou-se uma referência para brasileiros que querem atuar na Ásia.

— Eu eu me surpreendi bastante. Claro que não é no nível do futebol brasileiro, não tem como negar, não tem como mentir. Mas, assim, joga-se de uma forma competitiva. Eu sempre falo: se você vier aqui pensando que vai ser fácil , você não vai conseguir render. E você não vai ficar — disse, como dica.

Crocodilos à solta

Da Tailândia, Diogo migrou para o futebol da Malásia. E, claro, não poderia faltar uma experiência curiosa para guardar com carinho destes anos de Ásia. O clube escolhido foi o Johor Darul Ta'zim, em duas passagens, atualmente, e também entre janeiro de 2019 e novembro de 2020.

— O dono do time é o príncipe. Ele me levou pra conhecer a casa e brincou comigo: "se você não fizer gol, eu vou te trazer aqui". Dava pra ver crocodilos. Ele tinha uns crocodilos em casa. Foi uma brincadeira, né? Tinha tigre também, mas nem cheguei perto.

Mais histórias

Entre os primeiros anos de Tailândia e o retorno ao futebol da Malásia, Diogo atuou também pelo BG Pathum United, clube da primeira divisão tailandesa. Por ali, viu o presidente demitir o treinador num churrasco, depois do primeiro título da história da equipe. E ficou chocado.

— Logo que eu cheguei e nosso time foi campeão. Houve um churrasco do time e tudo mais, o presidente estava lá, acho que tinha tomado umas e quis fazer uma reformulação. Conversou com o nosso treinador, que era super bom, tailandês. Depois, presidente disse que iria trocar o treinador porque queria algo mais ofensivo. O capitão tinha renovado e o presidente disse que iria emprestar. Inacreditável. Nosso time, realmente, era muito defensivo. Realmente, algo diferente. Para mim, foi algo muito aleatório — relembrou, rindo.

 

Paixão pelo Palmeiras

Diogo já está na reta final da carreira e não tem mais expectativas de atuar no futebol brasileiro. Assim, já não se importa mais em contar algo que sempre o acompanhou: é palmeirense!

— Eu tenho gratidão por todos que passei, que joguei. Gostei muito de jogar no Santos, eu era palmeirense e joguei no Palmeiras. A Portuguesa foi onde eu cresci. Verdão e Lusa são os que eu tenho mais carinho. Tem argentino no meu time, sempre brinco que tomamos conta da Libertadores — encerrou o jogador.

Comente esta notícia

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do A Notícia MT (anoticiamt.com.br). É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site A Notícia MT (anoticiamt.com.br) poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

image