21 de Julho de 2024

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GERAL Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019, 16:31 - A | A

Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019, 16h:31 - A | A

ETNIA KAYAPÓ EM MT

Cacique Raoni pode ser anunciado nesta sexta como ganhador do Nobel da Paz

O Bom da Notícia

O cacique Raoni Metuktire, da etnia Kayapó, de Mato Grosso, disputa com Greta Thunberg, de 16 anos e a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern, uma das mais cobiçadas premiações do mundo, o Prêmio Nobel da Paz. O anúncio sai nesta sexta-feira (11), em Oslo (Noruega). A informação foi divulgada, nesta quinta-feira (10), pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo Congresso em Foco.

 

No final de setembro, o cacique esteve na Câmara Federal onde rebateu as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), feita dias antes contra ele, na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos, no dia 24 de setembro.

 

Raoni Metuktire, da etnia Kayapó, de Mato Grosso, disputa com Greta Thunberg, de 16 anos e a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern, uma das mais cobiçadas premiações do mundo, o Prêmio Nobel da Paz

O líder indígena chegou a ser chamado de “peça de manobra” pelo presidente que levou para a Assembleia Geral da ONU a indígena e youtuber Ysani Kalapalo, sua apoiadora desde a campanha eleitoral. A presença dela na comitiva presidencial causou polêmica. As maiores lideranças das 16 etnias da região do Xingu - onde Ysani nasceu- emitiram uma carta repudiando a escolha de Kalapalo e afirmando que ela não os representa.

 

O nome do cacique mato-grossense foi lançado à disputa do Nobel de 2020 por entidades indigenistas e ambientalistas, no dia 12 de setembro. Aos 89 anos, o cacique kaiapó Raoni Metuktire é um dos principais porta-vozes da causa indígena em todo o mundo. Apenas este ano foi recebido por autoridades como o presidente da França, Emmanuel Macron, e o Papa Francisco, aos quais denunciou a política socioambiental do governo Bolsonaro, o que gerou a irritação do presidente brasileiro.

 

Com mais de 50 anos de militância em defesa da preservação da floresta amazônica e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade internacional em 1987, quando se encontrou em São Paulo com o cantor inglês Sting durante uma turnê promovida pela Anistia Internacional para pedir apoio à demarcação de terras indígenas.

 

Um Nobel em meio a muitas denúncias

 

Mesmo que o cacique mato-grossense não seja o escolhido, seu nome ajudará - após esta superexposição na midia internacional -, a alavancar o discurso que está sendo preparado por lideranças indígenas - que visitarão de 17 de outubro a 20 de novembro -, 12 países europeus, onde pretendem denunciar as graves violações que estão ocorrendo aos povos indígenas brasileiros e ao meio ambiente, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro deste ano.

 

Realizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil,, em parceria com organizações da sociedade civil, a campanha “Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais” terá o objetivo de pressionar o governo brasileiro e empresas do agronegócio a cumprirem os acordos internacionais sobre mudança do clima e direitos humanos dos quais o Brasil é signatário – como o Acordo de Paris, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante consulta livre, prévia e informada, a Declaração da Organização das Nações Unidas sobre direitos dos povos indígenas, a Declaração de Nova York, entre outros.

 

A jornada terá início no Vaticano, com presença das lideranças no Sínodo dos Bispos para a Amazônia, inaugurado no último dia 6 pelo Papa Francisco, que cobrou respeito à cultura indígena e rejeitou as “colonizações ideológicas” destrutivas ou redutoras. Na sequência, as lideranças seguem para Itália, Alemanha, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, França, Portugal, Reino Unido e Espanha. Estão previstos encontros com autoridades e lideranças políticas, deputados do Parlamento Europeu e da bancada verde, alto comissionado de órgãos de cooperação internacional, empresários, tribunais internacionais, ativistas, ambientalistas e artistas.

 

Relatório recente, publicado pela Human Rights Watch, mostrou como uma ação de redes criminosas impulsionam o desmatamento e as queimadas na Amazônia, comprovando que a redução da fiscalização ambiental incentiva a extração ilegal de madeira e resulta em maior pressão sobre os povos da floresta, que sofrem represálias cada vez mais violentas ao defender seus territórios

Em abril deste ano, dados de um relatório da APIB, produzido em parceria com a Amazon Watch, comprovou como empresas europeias e norte-americanas, entre bancos, madeireiras e fabricantes de acessórios, financiam a devastação da Amazônia. Foram analisadas empresas brasileiras multadas por crimes ambientais na Amazônia desde 2017 e identificadas uma série de interesses comerciais de países do Norte com elas. Há denúncias de empresas que operam em áreas de conflitos e extraem recursos de territórios indígenas.

 

Dados preliminares publicados, em setembro, pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontam que as invasões a territórios indígenas explodiram em 2019. Somente de janeiro a setembro deste ano, foram 160 invasões em 153 terras indígenas contra 111 casos do tipo em 76 territórios em 2018. A três meses para encerrar 2019, já há um aumento de 44% no total de ataques e de 101% no de terras atingidas.

 

Outro relatório recente, publicado pela Human Rights Watch, mostrou como uma ação de redes criminosas impulsionam o desmatamento e as queimadas na Amazônia, comprovando que a redução da fiscalização ambiental incentiva a extração ilegal de madeira e resulta em maior pressão sobre os povos da floresta, que sofrem represálias cada vez mais violentas ao defender seus territórios.

 

Em agosto, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sugeriu, pela primeira vez, como soluções para a crise climática, reconhecer o papel dos povos indígenas como guardiões florestais, pois seus conhecimentos e práticas são importantes contribuições para a resiliência climática.

 

Para a APIB, o momento para amplificar a visibilidade desses fatos por meio de uma campanha de articulação e comunicação no exterior é agora, porque o genocídio dos povos indígenas no Brasil é real e eles precisam unir forças e aliados para essa batalha pela vida.

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